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Música ganha espaço como terapia para crianças com autismo

Musicoterapeuta diz que evolução gradativa é “troféu” e alegria de profissionais e famílias

 

Apesar de não ser tão popular quanto as terapias tradicionais, como a psicologia, terapia ocupacional e a fonoaudiologia, por exemplo, a musicoterapia ou musicalização vem a cada dia ganhando um espaço importante para, somada a outras terapias, ajudar crianças com necessidades especiais em diversas áreas, como na interação social, na comunicação verbal e não verbal, dentre outras.

Em Dourados, um trabalho digno de nota utilizando a musicoterapia é desenvolvido na Associação de Pais e Amigos dos Autistas da Grande Dourados (AAGD). A AAGD desenvolve suas ações em sede própria, visando promover o apoio psicossocial, o bem-estar e melhoria da qualidade de vida das pessoas com autismo e suas famílias. Para isso oferece atendimento em psicoterapia individual ao público alvo mediado por psicólogos na área comportamental, atendimentos as famílias com a equipe técnica (assistente social e psicóloga), bem como os Projetos Complementares, como Equoterapia, Ginástica, Musicalização e Apoio pedagógico.

O Progresso esteve com o músico Elton Bonilha Petelim, um dos professores que atuam na AAGD na atividade complementar de musicoterapia. “Fazemos esse trabalho com amor, porque essas crianças merecem. Elas já passam por tantas dificuldades por conta do espectro. O que podemos fazer é se dedicar com amor a elas para que tenham melhor qualidade de vida e um comportamento muito próximo das crianças típicas”, disse Elton na entrevista. “A nossa realização profissional, como músicos, é ver o desenvolvimento da criança. Quando vemos esse desenvolvimento, essa evolução gradativa, nós ficamos felizes e as famílias também. Essa é a nossa recompensa. Esse é o nosso troféu”, afirmou o dedicado professor, que detalhou à reportagem como são desenvolvidas as atividades de musicoterapia/musicalização.

“Nós trabalhamos com canto (Música de recepção e despedida, Canções Folclóricas, Cantigas de Roda, Músicas de estimulo motor, pedagógicas e outras músicas do repertório popular), ritmos variados com instrumentos percussão, terapias funcionais ou estruturadas (Desenvolvimento cognitivo), canções para estimular a coordenação motora e consciência corporal, exercícios musicais de identificação de figuras, cores e números (Pareamento e estímulos para a fala), identificação e execução de notas e figuras musicais nos instrumentos melódicos, percepção rítmica, melódica e harmônica, brincadeiras musicais para proporcionar interação social e Prática Instrumental com instrumentos musicalizadores (Violãop, Ukelele, Flauta Doce, Teclado Arranjador, Xilofone e Sanfona de 8 baixos)”, enumerou o músico, detalhando como e em que fase são aplicadas cada técnica.

“Todas essas atividades tem a finalidade de ajudar no desenvolvimento da criança, seja no desenvolvimento cognitivo ou fonético, auxiliar na alfabetização e na coordenação motora”, explicou, ressaltando que a AAGD atende todo o espectro do autismo. “Dentro dessa faixa de crianças nós temos as crianças classificadas como de espectro leves, moderadas e severo. As atividades aplicadas obedecem a esse grau de necessidade”, assinalou.

“Para efeito comparativo, se temos uma criança de três a seis anos de idade as atividades são mais de caráter lúdico. Se a criança não tiver nenhuma limitação intelectual, por exemplo, podemos atuar no pareamento de cores, auxiliar na alfabetização apresentando consoantes e vogais e numerais. Se a criança apresentar alguma limitação intelectual ou comorbidade associada, como comprometimento na fonética, a gente vai ajudar através de canções para ela poder desenvolver a fala e principalmente na questão comportamental”, descreveu Elton, enfatizando que “a questão comportamental é trabalhada em todas as situações, mas nos casos mais severos ela é mais priorizada por conta da necessidade de propiciar que essa criança tenha interação social, compartilhamento de brinquedos e outros comportamentos sociais de uma criança típica”.

“Isso muda se formos atender, por exemplo, uma criança de oito anos, que já é alfabetizada e que não tem comprometimento intelectual. Tem apenas a questão comportamental por conta do espectro do autismo. Nesses casos entramos com algo mais denso. É como alimentar uma criança: se é um bebê basta a papinha. Se é uma criança maior já se oferece alimentação normal. Nesses casos entramos com a musicalização em si, através do ensino das notas musicais, por exemplo”, prosseguiu.

Quando a criança já tem cerca de oito anos o Projeto oferece instrumentos musicalizadores. No caso de Elton, as atividades são feitas com violão, o teclado ou flauta doce. “Aí já é ensinar a tocar mesmo, apesentando musica popular e infantil e também explicando e mostrando o que é clave de sol, clave de fá, mínima, semínima, colcheia e outros pontos que fazem parte da teoria e prática musical ensinada em uma escola formal”, esclarece o músico.

“Quando vemos esse desenvolvimento, a evolução gradativa, nós ficamos felizes e as famílias também. Essa é a nossa recompensa. Esse é o nosso troféu”, afirmou o dedicado professor no final da entrevista.

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Choro é o gênero em que a música brasileira encontra seu virtuosismo

Neste sábado 23 é comemorado o Dia Nacional do Choro, gênero que é revolucionário, como fica claro no trabalho do grupo Chorando as Pitangas.

Foi da fusão do lundu, a base de percussão afro-brasileira, com a polca, a valsa e outros gêneros em evidência na época, que o choro floresceu na segunda metade do século XIX – uma associação espetacular que formou não somente um gênero instrumental, mas a própria raiz da música brasileira.

Joaquim Callado (flautista), Patápio Silva (flautista), maestro Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga (piano), Ernesto Nazareth (piano), Pixinguinha – o maior de todos (nasceu em 23 de abril e por isso o Dia do Choro), João Pernambuco (violão), Quincas Laranjeira (violão), Luperce Miranda (bandolim) e João da Baiana, que embora seja identificado como sambista, foi fundamental na introdução do pandeiro nas rodas de música da época.

Esses instrumentistas essenciais presentes pouco antes e pouco depois da virada do século XIX para o XX, e mais uma centena de músicos que os cercavam e eram tão virtuosos quanto os citados, fizeram a combinação que solidificou o choro como uma arte musical tipicamente nossa.

Os chorões, que quando reunidos eram chamados de grupo regional (relação com a música regional), composto por cavaco, violão, pandeiro e mais bandolim, piano e sopros (flauta, saxofone), tocavam em bares, festas populares, aniversários, em teatros e até em baile da elite.

Influência

Eles frequentavam rodas de samba, ainda no embrião, nas casas das tias baianas. Foram depois para o rádio. Eram pessoas do povo, de origem humilde, muitos autodidatas. Não só eram exímios músicos, mas arranjadores e compositores. Improvisaram como ninguém, uma característica em geral dada somente a quem tem talento.

Passaram a acompanhar grandes cantores da época, como Carmem Miranda e Francisco Alves. E isso perdura até hoje. Alguns artistas do primeiro time, não só do samba, mas da MPB, mantêm sua base de músicos com chorões e até mesmo já fizeram trabalhos com um conjunto inteiro.

Músicos de choro são excelentes instrumentistas, leem partituras, têm linguagem musical própria dando um caráter no acompanhamento bastante peculiar.

Esse pessoal influenciou desde sempre a cultura e é responsável pela definição da raiz da música brasileira. Isso não quer dizer que o próprio choro não tenha mudado ao longo do tempo, com grupos experimentando a inserção de novos instrumentos no meio, como acordeon, surdo e violino.

O Chorando as Pitangas, que lançou seu terceiro disco recentemente, chamado Terceira Dose, é uma prova disso. O grupo é composto por Gian Correa (violão de sete cordas), Ildo Silva (cavaquinho), Milton Mori (bandolim), Roberta Valente (pandeiro) e Vitor Lopes (harmônica ou gaita – está aí um instrumento inserido no choro ao longo do tempo, dando-lhe multiplicidade musical em solos plurais).

O disco mostra o caminho renovador do choro, nas composições próprias de integrantes do Chorando as Pitangas e dos participantes, como do violonista Ricardo Hertz e do grupo Barbatuques, que em duas faixas introduzem percussão corporal no choro, como assobios, toques das mãos, palmas, sons com a boca e vocalizes. O álbum ainda tem a participação do guitarrista Chico Pinheiro.

O choro sempre teve linguagem inovadora e virtuosa, como Pixinguinha tão bem propôs há um século.

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Aquela música que não sai da sua cabeça faz bem!

Aquela música que não sai da sua cabeça faz bem!

Sabe aquela música que de vez em quando volta à sua mente… E você não sabe de onde saiu? Quase todo mundo já passou por isso, e as pessoas geralmente se perguntam por que esse som aparece do nada. Alguns chegam a achar irritante! Mas, segundo a ciência, essa é uma ferramenta importante do nosso cérebro.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia resolveram investigar o assunto. Pra isso, eles fizeram testes com voluntários, que precisaram assistir a trechos de filmes desconhecidos – ora sem, ora com música de fundo. Para alguns dos participantes, o processo era repetido, e eles ouviam a mesma música várias vezes. Depois, eles precisavam relatar os detalhes que se lembravam do que tinham assistido.

E os resultados foram claros… Quanto mais uma música é “tocada” na cabeça de uma pessoa, mais precisa se torna a memória da música… E mais detalhes a pessoa se lembra da seção específica do filme com a qual a música foi combinada! É isso que explica por que todos nós temos uma canção que representa um momento importante da vida… Toda vez que você a escuta, lembra de detalhes desse período especial.

Segundo os pesquisadores, esse achado é importante porque confirma que a música é um mecanismo que pode ajudar a manter as nossas memórias. Ela ajuda a preservar tanto as experiências recentes quanto a memória de longo prazo, gerando uma espécie de efeito protetor do cérebro.
Fantástico, não é mesmo?

Outros benefícios da música
Se você gosta de música, com certeza seu cérebro e todo o seu corpo podem se beneficiar de inúmeras formas diferentes. E tanto faz se você toca algum instrumento ou simplesmente gosta de ouvir suas canções favoritas. Veja:

1 – Tocar um instrumento é bom para o cérebro
Segundo estudos, ao tocar qualquer instrumento, suas ondas cerebrais se alteram e melhoram sua audição e percepção. Essa é uma boa notícia para quem teve algum dano cerebral, como derrames, ou simplesmente quer deixar a mente mais afiada.

2 – Proteção contra demências
Outra pesquisa demonstrou que pessoas que tocam instrumentos precisam de menos esforço mental de quem não é músico, ainda que seja para realizar a mesma tarefa. Os pesquisadores comentam que esse é um importante fator protetor contra o declínio cognitivo e demências, como o Alzheimer.

3 – Proteção cardiovascular
Testes em pessoas hipertensas mostraram que elas tiveram redução no ritmo cardíaco depois de ouvirem música clássica. Uma boa notícia para quem tem pressão alta!

4 – Proteção contra epilepsia
Você já ouviu falar do “efeito Mozart”? Vários estudos confirmam que pacientes com epilepsia que ouvem as músicas clássicas desse compositor têm menos crises epiléticas e reduzem a frequência da atividade cerebral.

A hipótese é de que as sonatas de Mozart tenham estruturas rítmicas que impactam direto em certos sistemas cerebrais, mas a ciência ainda precisa de mais pesquisas para uma confirmação…
É incrível como nossa mente e nosso corpo respondem à música! Então, fica a dica: faça do som o seu remédio!

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Música tem capacidade única de ativar regiões do cérebro

Poucas emoções são tão fortes quanto ouvir a música preferida tocar aleatoriamente no rádio do carro ou em uma festa. Os pelos do braço instantaneamente ficam arrepiados, os olhos se arregalam e uma série de memórias trazidas por aquela canção surgem na cabeça em uma fração de segundos.

Se para alguns a música muitas vezes parece causar uma explosão de fogos de artifício no cérebro, saibam que cientificamente não estão errados. Foi desta forma que o neurologista e músico Marco Morel descreveu a atividade cerebral ao ouvir o som dos acordes de uma banda reunidos.

“A música é uma atividade, uma disciplina, que ativa todas as funções cerebrais simultaneamente como nenhuma outra. […] Nós brincamos que a música é como se fosse a queima de fogos na praia de Copacabana na virada do ano, é isso que acontece no cérebro. Todas as áreas se comunicam em simultâneo, e dialogam como nenhuma outra atividade.”

Pelo poder da música no cérebro, médicos e pesquisadores de todo o mundo tem usado canções para tratar pessoas com distúrbios como Alzheimer, que leva a perda gradual da memória. Segundo Morel, pacientes em estado avançado da doença mostraram interações surpreendentes ao ouvirem a canção preferida da infância ou até mesmo do casamento.

“Alguns estudos feitos em asilos especializados em pessoas com Alzheimer, no qual estes pacientes não tinham tipos de contato verbal ou aparentemente não tinham mais contato com a vida externa, colocaram para tocar as músicas que eles escutavam na infância, recém-casados ou em outras fases da vida. Esse estímulo fez com que estes pacientes começassem a falar, se lembrar de outras coisas e isso deixou até os cuidadores arrepiados.”

Morel explica que esse tipo de situação acontece porque a música é capaz de ativar memórias e acessar reações de diferentes partes do cérebro, como sensações, cheiros e até gostos, que outras atividades, como a literatura, não conseguem.

“Por exemplo, se você lembrar de algum livro que você leu, do que você comeu ontem ou de algum episódio bom, ou ruim que aconteceu um ano atrás, o cérebro vai ativar o lóbulo temporal, áreas frontais que são mais envolvidas com a memória. Já a música ativa estas áreas e outras envolvidas com emoções que são mais abstratas, mais avançadas e envolvem sentimentos mais refinados, gostos e sensações.”

O neurologista reconhece que alguns estudos preferem usar músicas genéricas para tratar pacientes, como as canções eruditas de Beethoven ou Mozart. Entretanto, Morel defende que cada paciente deve receber um tratamento individualizado com sons que instiguem memórias pessoais e únicas.

“A música é uma máquina do tempo, eu mesmo uso isso com os meus pacientes com demências. […] A neuroplasticidade — capacidade do cérebro de se adaptar a mudanças ou lesões — é um fenômeno que ajuda pacientes a superar traumas, ansiedade e depressão a partir de tratamentos com a música. Não há outro fenômeno hoje conhecido que tenha tanto benefício nessa área quanto a música.”

Pesquisas brasileiras indicam que ouvir música pode ajudar até a controlar a pressão arterial de pessoas no CTI (centro de terapia intensiva), ideal para pacientes que se recuperam de AVCs (acidente vascular cerebral) ou mesmo sofrem com algum tipo de pressão intercraniana.

Além das doenças já citadas, como Alzheimer e depressão, o tratamento com músicas pode ajudar pacientes com insônia, crises de pânico, bipolaridade e até mesmo Parkinson.

“A doença de Parkinson não é apenas tremor, ela também envolve rigidez dos membros e, principalmente, instabilidade postural. O paciente com Parkinson tem problema para andar, a marcha fica mais rígida com passos mais curtos e arrastados, com tendência de queda para os lados e para frente. A música, principalmente rítmica, contribui muito [para a melhora do quadro]. A diferença é gritante. Parece que você colocou um marcapasso nas pernas.”

Ainda segundo o neurologista, aprender a tocar instrumentos musicais desde a infância tem efeito significativo na construção cerebral, além dos impactos significativos observados também em adultos e idosos.

“Os músicos profissionais avaliados em comparação com os músicos amadores tiveram resultados muito acima da média nas funções executivas, como atenção, concentração, capacidade de fazer multitarefas e capacidade de planejamento estratégico a longo prazo”, concluiu Morel.

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Como artistas se viram para manter o sonho de viver da arte

Depois da crise no setor da cultura provocada pela pandemia e falta de incentivos, a arte nas periferias retoma aos poucos suas atividades

Oderval Júnior leva o projeto Noite de Cinema ao exterior

Desde cedo os moradores de comunidades sentem que terão que se empenhar mais para entrarem no mercado de trabalho e isso acaba incentivando os mesmos a buscarem alternativas para fazer o capital circular na própria vila.

E os números confirmam isso: Com cerca de 1,21 milhão de pessoas desempregadas em Minas Gerais, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), muitos encontram na informalidade um meio de obterem renda para o sustento. Nas favelas e periferias do Estado, essa realidade é mais frequente e comum, por estarem afastados dos grandes centros e pelas diferenças sociais existentes no país.

O pensamento do produtor e gestor cultural Oderval Júnior, de 42 anos, seguiu essa linha. Ele fundou o projeto Noite de Cinema, com o intuito de promover a cultura cinematográfica na região metropolitana da capital. A iniciativa partiu dele, ao observar a carência de produções audiovisuais alternativas nas periferias do Estado.

O início foi em 2012, mas somente a partir de 2019 foi possível obter um retorno financeiro do empreendimento. “É um investimento incerto e duvidoso, mas com muita dedicação e trabalho, hoje chegamos a dez anos de trajetória”, contou Oderval.

Mesmo ainda não sendo possível viver somente das ações coletivas, os planos do gestor cultural não param. Agora com o projeto mais recente, a criação do Cine Teatro Popular, em Ribeirão das Neves, ele pretende buscar parcerias e ser selecionado em editais de incentivo à cultura.

Ele sabe que sempre vai encontrar dificuldades no caminho, mas reforça que para quem trabalha com ações socioculturais não existe a opção de desistir. Não deixe que o sonho fique só na sua cabeça, faça o máximo para realizá-lo. A satisfação da realização de um sonho é inexplicável e única.

Johnny Kiff e os integrantes do clipe da música País Errado
Johnny Kiff e os integrantes do clipe da música País Errado

Foto: Arquivo pessoal

E quando a vontade existe, encontra-se um meio para concretizá-la. Johnny Kiff, de 30 anos, começou a compor com 15 anos. Visando o objetivo de estar próximo das câmeras, o músico cursou comunicação social na UFMG. Após trabalhar dois anos como jornalista em uma TV pública, percebeu que o desejo de empreender tanto no audiovisual quanto na música era maior. Hoje, concilia a música com as câmeras de forma independente e produz artistas e também a própria banda, chamada Revolução.

O produtor audiovisual faz questão de cantar as próprias composições quando se trata de gerar renda, mesmo sem o apoio das mídias tradicionais. Acrescenta que “o próprio contexto do domínio monopolizado das rádios pelos produtores sertanejos é um fator bastante injusto. Todavia a internet está aí para democratizar um pouco as coisas”. Durante a pandemia, a música da banda, chamada Fake News alcançou um milhão de ouvintes no Instagram.

Assim como Oderval, Johnny passa por momentos desafiadores, mas a vontade de superar persiste. “Como músico independente me sinto como um artesão concorrendo contra grandes corporações industriais, e, ao mesmo tempo em que isso é cruel, é também uma grande motivação”, explica o músico.

Cantor e compositor Rafael Ferrazzo
Cantor e compositor Rafael Ferrazzo

Foto: Arquivo pessoal

Gostar do que faz deveria ser fundamental em qualquer profissão, mas nem sempre isso é possível. Rafael Ferrazzo, de 36 anos, consegue ter independência financeira como cantor e compositor sertanejo, mas antes de deixar o emprego fixo, foi preciso fazer um planejamento.

Ele conta que na cidade onde mora, na região metropolitana de Belo Horizonte, falta apoio à cultura, além da queda dos shows e eventos causados pela pandemia. O cantor já está há sete anos no mercado, mas alerta quem quer seguir pelo mesmo caminho: leve a música em paralelo com outro trabalho e estudo.

Locutor e palhaço Alexandre Brasil
Locutor e palhaço Alexandre Brasil

Foto: Arquivo pessoal

Buscar alternativas para encaixar as tarefas que dão prazer às que são necessárias, é uma forma de inserir a produção da arte gradualmente no emprego formal. O locutor Alexandre Brasil, de 38 anos, associou a profissão com algo que gosta.

“Vi alguns palhaços trabalhando na região de Venda Nova e tomei gosto pela coisa. Há 13 anos comecei a trabalhar de palhaço em festas de criança”, relembra a trajetória. Hoje, Alexandre atua como DJ, locutor, palhaço, professor de dança e aluga equipamentos de som e iluminação para complementar o orçamento. Ele fala sobre as mesmas dificuldades que existem no início de qualquer profissão e se alegra em dizer que hoje conseguiu conquistar o público da região de Venda Nova e é querido pela maioria.

Afrofuturista e desenvolvedor de sites Helder Àlagba
Afrofuturista e desenvolvedor de sites Helder Àlagba

Foto: Arquivo pessoal

Antes de perceber a arte como um negócio, é preciso ter ciência de que o projeto ultrapassa o dom artístico. Exige estratégias para transformá-la em uma economia criativa. O escritor afrofuturista e desenvolvedor de sites, Helder Àlagba, de 31 anos, diz que fazer arte é sobre ser honesto com a própria alma.

“Se sua alma é preenchida de arte, não há outro caminho a seguir. É uma ilusão acreditar que eu seria feliz fazendo outra coisa, e acredite, eu tentei”, declara o autor. Helder é um exemplo de quem começou a ter um incentivo comercial somente após muita divulgação própria nas redes sociais, porém, gradual. “O problema da bonificação oriunda das mídias como o Instagram é que elas alimentam apenas o ego, sem qualquer responsabilidade com as contas que nos cercam todo mês”, explica. O autor se afasta da escrita nos momentos em que precisa usar outra habilidade para sobreviver.

Mestre Navalha e o grupo Mandinga de Minas
Mestre Navalha e o grupo Mandinga de Minas

Foto: Arquivo pessoal

Essa realidade é comum aos artistas das favelas. Edimar de Jesus, de 38 anos, conhecido como Mestre Navalha, iniciou as atividades culturais em 1992 e atua como mestre de capoeira há 17 anos. Mas para garantir o sustento, precisa trabalhar também na área da construção civil.

Navalha conta que pratica a capoeira não somente como um meio de trabalho, é também um modo de vida para “desviar das coisas ruins que a periferia oferece”, explica. Ele destaca o fato da capoeira ser julgada como uma cultura malandreada, onde pensavam que ela seria também um meio de viver de modo malandreado.

Porém, o mestre se orgulha em dizer que foi essa arte que proporcionou a ele saúde, educação, motivação e formação profissional. “Como a capoeira tem origem negra, a musicalidade dela se funde com a história do país como forma de protesto pelo nosso passado de escravidão. É também uma valorização do presente e incentivo a um futuro com mais respeito”, reflete.

Bailarino Nilson Silveira
Bailarino Nilson Silveira

Foto: Arquivo pessoal

Os obstáculos e as portas fechadas podem ser aproveitados como incentivo e servirem para fortalecer ainda mais a possibilidade da realização de um sonho. No caso do coreógrafo e maítre de ballet Nilson Silveira, de 58 anos, o objetivo era de ser ator, mas ficou decepcionado com o resultado de uma prova que fez no Palácio das Artes em Belo Horizonte.

A tristeza não o afastou dos palcos, pelo contrário, o coreógrafo continuou frequentando o espaço. Um dia ele assistiu a um ensaio de dança e ali despertou o desejo de estar naquele ambiente artístico e assim iniciou a carreira, há 38 anos.

Nilson sempre teve o respeito e o sucesso desejado e diz que o segredo disso é ouvir o coração: “Em todas as áreas, o mais importante é a sua satisfação e felicidade. Sendo assim, se você olhar dessa forma, o sucesso e a remuneração virão como consequência”.

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Pesquisa revela como música de Mozart acalma cérebro de pessoas com epilepsia

Desde a década de 1990, os cientistas tentam responder como uma música de Mozart consegue acalmar o cérebro de pessoas com epilepsia. A “Sonata para Dois Pianos em Ré Maior, K. 448” é o único arranjo musical conhecido por produzir esse efeito.

Agora, uma pesquisa do Dartmouth College, nos Estados Unidos, parece ter conseguido revelar o segredo por trás das propriedades terapêuticas criando o ‘efeito Mozart K448’, um gênero musical antiepilético que pode ajudar as pessoas com o distúrbio neurológico. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports, da Nature.

Para conduzir sua investigação, os pesquisadores tocaram a música para 16 participantes com epilepsia refratária, todos com implantes cerebrais para medir sua atividade neural. Isso permitiu aos autores monitorar um tipo específico de impulso elétrico conhecido como descargas epileptiformes interictais (IEDs), que estão fortemente associadas à epilepsia e podem provocar convulsões.

Eles observaram que ouvir a ‘K448’ por 30 segundos produziu uma diminuição considerável nos IEDs nos participantes, particularmente nas regiões do cérebro que coordenam as emoções, como os córtices frontais bilaterais.

Os pesquisadores fizeram o mesmo teste com músicas favoritas dos participantes, mas não foi observado nenhum efeito semelhante. Isso sugere, segundo os cientistas, que a sonata ‘K448’ produz um efeito na atividade cerebral totalmente independente da resposta emocional subjetiva.

Na tentativa de decifrar o efeito terapêutico da peça, os autores do estudo analisaram a estrutura musical, observando que ela é “organizada por temas melódicos contrastantes, cada um com sua própria harmonia subjacente”, descreveram na pesquisa.

Depois disso, descobriram que as reduções no IED foram particularmente pronunciadas durante as transições entre essas frases musicais.

Respostas emocionais positivas
Com base nessa observação, os pesquisadores levantam a hipótese de que as transições entre melodias prolongadas geram “respostas emocionais positivas” dentro do cérebro, o que parece atenuar a atividade epiléptica.

Para testar essa teoria, eles pediram aos participantes que ouvissem uma peça de Wagner, outro compositor clássico, que não tem melodias reconhecíveis e “é organizada por mudanças sutis e graduais em vez de temas melódicos contrastantes”, descreveram.

Ouvir Wagner não surtiu efeito sobre a atividade do IED, reforçando a conclusão de que as mudanças melódicas são o ingrediente antiepiléptico chave na ‘K448’ de Mozart.

Ao aproveitar essa propriedade e compor outros arranjos musicais que espelham a estrutura da sonata, os pesquisadores dizem que pode ser possível desenvolver novos tratamentos não invasivos para a epilepsia.

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GRUPO VOCAL ESPERANÇAR

Flávio Véspero faz parte do Grupo Vocal Esperançar e nós “gostamos de cantar e encantar. A música é alegria, um momento doce e faz bem ao coração. Ela alimenta a alma, faz recordar, é animação, deleite, entusiasmo, paz e amor”.(Geraldo Tadeu Amaral)

 

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GRUPO VOCAL ESPERANÇAR

Flávio Véspero faz parte do Grupo Vocal Esperançar e nós “gostamos de cantar e encantar. A música é alegria, um momento doce e faz bem ao coração. Ela alimenta a alma, faz recordar, é animação, deleite, entusiasmo, paz e amor”.(Geraldo Tadeu Amaral)

 

 

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QUAIS SÃO OS EFEITOS DA MÚSICA EM NÓS?

O período de Carnaval é ótimo para ouvir música, dançar e extravasar. Mas você sabe qual é o efeito da música em nós? Um estudo norte-americano, publicado pelo Correio Braziliense, garante que o ser humano utiliza os mesmos padrões quando deseja expressar emoções por meio de melodias ou gestos. Mais abaixo, destacamos os 10 efeitos da música sobre a nossa mente, coração e saúde. Leia e veja se você se identifica com alguma delas (ou, quem sabe, com todas).

Segundo a matéria do Correio Braziliense, a música, literalmente, move as pessoas. Em todas as culturas, os primeiros acordes e batuques são suficientes para que as pessoas comecem a mexer o corpo, mesmo que discretamente. A relação entre som e movimento é tão forte que, em várias línguas do mundo, as palavras música e dança são intercambiáveis, e há casos em que são um mesmo vocábulo. Mas o que está por trás dessa ligação tão forte? Para determinar em que medida as duas expressões se comunicam, pesquisadores norte-americanos do Dartmouth College desenvolveram experimentos pelos quais puderam demonstrar que o ser humano utiliza a mesma estrutura de pensamento quando se expressa por meio de sons ou gestos.

Os testes foram aplicados tanto em moradores dos Estados Unidos como nos de uma vila isolada no Camboja. Utilizando um programa de computador, os participantes tinham de expressar, por meio de sons ou de movimentos, as emoções raiva, felicidade, tranquilidade, tristeza e susto. Além de concluir que as duas formas de expressão seguiam o mesmo padrão, os pesquisadores notaram que não havia diferenças significativas entre as duas culturas, indicando uma universalidade dos resultados, apresentados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os participantes eram instruídos a utilizar o tempo que fosse necessário para expressar as cinco emoções por meio de um software, capaz de gerar música por meio de melodias de piano e movimento a partir da animação de uma bola quicando. Ao tentar expressar raiva, por exemplo, os participantes que trabalhavam com os sons usavam mais notas por minuto e em intervalos menos lineares, por exemplo. Da mesma forma, aqueles que manipulavam a bola virtual também optavam por mais quiques por minuto. Por outro lado, ao manifestar tranquilidade por meio do programa, os participantes geravam notas e quiques de bola mais ritmados e espaçados. A comparação dos gráficos gerados pelo programa de computador mostrou aos especialistas que o padrão de quiques e melodias era muito semelhante para cada emoção.

Os 10 efeitos da música sobre a nossa mente, coração e saúde:

1) Sua playlist afeta o seu jeito de andar
Pode ser inconsciente, mas nossos pés automaticamente nos ajudam a acompanhar o estilo de música que estamos ouvindo. Assim, uma simples música que está em nossa mente pode ocasionar uma mudança no nosso jeito de andar.

2) Cantar exercita o coração
O ato de cantar, por meio dos movimentos que realizamos durante a cantoria da música, nos ajuda a exercitar o coração. Além disso, o ato de cantar também ajuda a exercitar os pulmões e libera endorfinas, que faz com que nos sintamos bem.

3) Melhora a memória
A música influencia diretamente no desempenho da memória. Por exemplo, as músicas de Mozart ou o estilo barroco chegam a provocar 60 batimentos por minuto, e esta atividade ativa o cérebro esquerdo e direito. Quando ocorre esta ação, de maneira simultânea, o corpo auxilia no aprendizado e na retenção de informações, por meio do processamento delas.

4) Diminui a dor
Um dos efeitos da música, de acordo com estudos realizados na Inglaterra, contribui para a redução da dor crônica, bem como de outras situações dolorosas. Além disso, a música diminui as incidências de depressão em até 25%.

5) Ajuda na concentração
Ouvir música – do estilo clássico – ajuda a relaxar e, por isso, aumenta a capacidade de concentração em todas as faixas etárias e níveis de habilidade.

6) Contribui para relaxar
Como dissemos no item anterior, o efeito da música ajuda a relaxar. O ato de ouvir música como pop e jazz contribui para trazer o efeito restaurativo. Além disso, a música clássica acelera os efeitos, pois a pressão sanguínea é normalizada bem mais rápido.

7) Aumenta o romance
De acordo com pesquisas, em um encontro, 52,3% das mulheres entregam o número do telefone após terem vivenciado um encontro ao som de música romântica. Em casos de música neutra, a porcentagem cai para 27,9%.

8) Motiva a realizar atividades físicas
Segundo estudos, atletas que correram com músicas rápidas ou músicas motivacionais conseguiram atingir um resultado melhor, quando comparado aos que não ouviam música ou que ouviam música lenta. Portanto, se você vai correr e quer um melhor desempenho, não se esqueça da música.

9) Influencia sua percepção de mundo
A música que você escuta costuma definir a forma como você pensa. O principal motivo é que a música prevê a personalidade dos ouvintes. Pesquisas apontam que pessoas que ouvem jazz, blues e folk costumam ser mais estáveis emocionalmente.

10) Melhora a qualidade do sono
Novos estudos apontam que pessoas que ouvem músicas relaxantes conseguem ter um sono ainda melhor, quando comparado às pessoas que não ouvem. As pessoas que sofrem com insônia podem seguir esta dica.

 

Fonte: https://ibcmed.com/quais-sao-os-efeitos-da-musica-em-nos/

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