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Parentesco entre música e religião é extremamente próximo

Duas manifestações aparentemente diversas têm origem nas mesmas necessidades humanas e partem do subconsciente. Canções substituem a oração para alguns, e outros utilizam o ritual como estratégia de marketing.

“Para mim, cantar é como um mantra que cura”, revelou a cantora pop italiana Gianna Nannini numa entrevista recente. “Cantar me deixa como que em transe, me faz feliz e transforma minha consciência. E é essa sensação que eu quero levar pelo mundo afora.” E, por via das dúvidas, esclarece: “Mas não sou religiosa”.

Nannini podia estar falando em nome de muitos de seus colegas, de Jimi Hendrix a Santana, que se dissolvem na própria música e se entregam a uma sensação de êxtase. Os fãs também não conseguem escapar dessa atração, pois o efeito dos sons é subconsciente.

“Música e religião têm a mesma origem”, diz a musicóloga e psicóloga suíça Maria Spychiger, que atua em Frankfurt. “Ambas desencadeiam sentimentos difíceis de definir com palavras, têm a capacidade de provocar experiências que ultrapassam o dia a dia.”

“Bater de asas de um anjo”

DW_Voodoo14Transe ao som de tambores em cerimônia vudu

O poder espiritual da música se faz sentir desde os primórdios da história humana até hoje. Em pleno século 21, xamãs empregam em seus rituais o toque de tambores ou sons de flauta. Entre os povos nativos, a música não serve apenas para diversão, mas também ajuda a entrar em contato com os deuses.

No cristianismo, a arte dos sons sempre desempenhou um papel importante. Do canto gregoriano ao gospel, passando pelas cantatas de Johann Sebastian Bach, a música encontra uma linguagem própria para o lamento e o júbilo, a meditação e o êxtase.

Heiner Gembris, especialista em psicologia musical, descreve com uma imagem poética a relação entre esses dois âmbitos: “A música é como o bater de asas de um anjo, que nos toca e faz sentir a presença de algo maior, que nos eleva para além dos limites de nossa prisão no mundo”.

Kreischende Teenager beim KonzertAdolescentes berram até o êxtase diante de seus ídolos

No mundo ocidental secularizado, o aspecto religioso da música é cada vez mais colocado em segundo plano. Ao mesmo tempo, os jovens transferem em massa aos astros musicais a idolatria que a geração de seus avós dedicava a Nossa Senhora ou aos santos. Nos shows ao vivo, eles vivenciam sentimentos antes reservados ao campo da oração ou dos rituais religiosos: aqui eles procuram alegria e consolo.

“O lado espiritual não brota simplesmente dos seres humanos”, explica Spychiger. “Eles recorrem, antes, a conteúdos já presentes na sua cultura. Para muitos a música tem um valor elevado, nela eles encontram significado e sentido existencial. E alguns até mesmo satisfazem suas necessidades religiosas através do meio música.”

Jugendliche tanzen im Club Adagio am Potsdamer Platz Berlin FLASH GalerieDJs exploram fatos científicos ao escolher seu repertório

Fãs como Elisabeth Dick, de 36 anos, corroboram plenamente tal afirmação. “Antes, eu gostava de escutar o Enigma. A música suave da banda era absolutamente espiritual para mim, me dava a sensação de estar flutuando em outras esferas.” Hoje em dia, ela vai muito a shows de rock. “Não é para pensar que tenha qualquer coisa a ver com espiritualidade, mas, quando centenas de fãs dançam a noite toda, é bem fácil a pessoa se sentir levada. Aí eu fico como se fosse em transe.”

Esse fenômeno também se manifesta nas festas techno. Os jovens se movem ao som de um ritmo compulsivo e pulsante, o qual, segundo estudos científicos, opera sobre o sistema neurovegetativo, em todo o corpo. Os DJs fazem uso desse saber, ao encadear músicas com a mesma frequência de batidas por minuto. Após horas seguidas consumindo esses ritmos, os dançarinos entram em estado de transe.

A tentação de ser superstar

Assim, não são apenas os astros da música, mas também os DJs a ganharem statur de ídolos semirreligiosos, imitados sobretudo pelos jovens em fase de formação da personalidade. Ou, como sintetiza a cantora norte-americana Pink numa de suas músicas de maior sucesso: “God is a DJ” (Deus é um DJ).

Deutschland Musik Wave - Gotik - Treffen in LeipzigAdeptos do “gothic” se distinguem pela roupa, penteado e maquiagem

Além disso, nos concertos dos seus superstars os fãs desenvolvem um sentimento de comunidade com os demais espectadores. Através de determinados rituais – como vestuário ou ornamentação corporal – alguns grupos até mesmo se isolam intencionalmente dos adeptos de outros estilos musicais.

A mistificação também tem um papel forte na comercialização dos artistas, e a indústria de publicidade trabalha avidamente para transformá-los em supersseres humanos.

A fascinante promessa de se transformar num desses super-homens se reflete em formatos televisivos como Idols/ Superstar (criado na Inglaterra em 2001), ou The Voice (Holanda, 2010). Estas e outras franquias basicamente exploram o desejo de milhares de jovens, que sonham com uma carreira estrondosa como músicos.

Fiéis, hereges e falsos sacerdotes

20.06.2013 DW popXport Xavier NaidooCantor soul alemão Xavier Naidoo

O papel da religião para cada músico é bastante diverso. Há cantores religiosos, como o alemão Xavier Naidoo, que expressa sua fé nas letras e também na vida quotidiana. Cristão convicto, ele afirma rezar duas vezes por dia.

Outros empregam símbolos religiosos com o fim de provocar. Como Madonna, ao pintar nas mãos as chagas de Cristo e utilizar o crucifixo para fins pouco ortodoxos. O Vaticano escandalizou-se, enquanto a estrela falava em um sinal de emancipação. No fim das contas, tais ações são, em grande parte, uma esperta estratégia de marketing.

Flash-Galerie Michael Jackson This Is ItLuzes e outros efeitos transformavam Michael Jackson num quase deus

Ainda outros, como Michael Jackson, se celebram no palco com fogo, efeitos de luz bombásticos e impressionantes shows de laser. Segundo psicólogos, cenários desse tipo manipulam a percepção dos espectadores, ao aproximar o artista da imagem de um Redentor que condescende em se apresentar a seu povo. O concerto se converte num ritual pomposo, lançando mão de um simbolismo que lembra o Velho Testamento da Bíblia, em que Deus se mostra em pessoa.

Para os amantes do pop e rock, tais análises são totalmente supérfluas: o importante é se divertir. Como relata um fã de 19 anos: “Quando vou a um show de rock com meus colegas, é uma libertação. A gente voa em direção ao céu. Toda a porcaria da semana, o chefe que enche o saco, de repente tudo isso está lá longe e não faz a menor diferença. Eu me sinto como se tivesse chegado a algum lugar… no meu próprio mundo”.

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FLÁVIO VÉSPERO!

O cantor e compositor Flávio Véspero começou sua formação musical de modo autodidata em 1977, com ênfase em violão clássico, solfejo e canto. Posteriormente, desenvolveu estudos de harmonia e rítmica sob a orientação de Mario Albanese, um dos fundadores do Ritmo Jequibau.

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Top 10 músicas inesquecíveis de Copa do Mundo

Algumas nos fizeram rir, outras chorar, e as melhores, comemorar! Confira uma lista de hits da Copa do Mundo que marcaram os Mundiais!

Ter uma canção como tema oficial de uma Copa do Mundo é, sem dúvida, um bom negócio. Qual artista não gostaria de se apresentar para uma plateia de 1 bilhão de pessoas, número aproximado de gente que estará ligada no evento de abertura do evento, hein?! Por isso, entra ano de Mundial, sai ano, alguma canção tenta ganhar o título de hino. Qual será o desta Copa?

10. Los Ramblers – El Rock del Mundial (Chile, 1962)

O primeiro a gente nunca esquece, não é mesmo? E por mais que a música não seja a mais popular desta lista, afinal, foi lançada há mais de 50 anos (!!!), é importante por ter dado o pontapé inicial na moda “músicas da Copa” e por ser uma das músicas de maior sucesso do Chile, foram vendidas mais de 2 milhões de cópias. E, ah, nesse Mundial o Brasil foi o grande campeão em vitória contra a Tchecoslováquia. O hit deu sorte?

9. Claudia Leitte, Pitbull e Jennifer Lopez – We Are One (Brasil, 2014)

Bastante criticada, tanto no Brasil, quanto pela imprensa estrangeira, por não dar o devido destaque para a representante brasileira Claudia Leitte, que canta por apenas 15 segundos, a canção foi apresentada na abertura do Mundial no Brasil. Isso, para o bem ou para o mal, já tornou a produção inesquecível e histórica. Você aprovou a escolha?

8. Anastacia – Boom (Coréia do Sul e Japão, 2002)

O ano do Penta! Apesar de uma certa baiana ter feito a festa com sua canção, foi da cantora norte-americana Anastacia a música oficial da Copa. Muito famosa na Europa e Oceania, ela, dona de uma voz potente, foi a aposta da FIFA e tentou fazer de Boom um dos hinos do Mundial, porém a produção foi um fracasso e não conseguiu chegar ao #1 em nenhum país em que foi lançada. “Bola murcha”!

7. K’naan – Wavin’ Flag (África do Sul, 2010)

A Copa de 2010, na qual a Espanha se consagrou a grande vencedora, não foi das melhores em termos de alegrias para o Brasil. Agora, quando o assunto são as músicas produzidas e que fizeram sucesso, a coisa muda de figura. Uma delas em especial, a motivacional Wavin’ Flag, entoada pelo rapper K’Naan, ganhou o carinho de jogadores e torcedores ao redor do mundo. Claro, o hino fazia parte de uma campanha publicitária de uma marca gigante de refrigerantes, o que ajudou em sua divulgação, mas isso não tira o seu mérito. A canção é boa, tocou demais nas rádios, chegou ao 14º lugar das mais executadas no Brasil, e tornou-se inesquecível. Mas aquele ano ainda seria marcado por uma canção que vai ocupar nosso nº 1…

6. Toni Braxton e Il Divo – Time Of Our Lives (Alemanhã, 2006) 

Mais uma canção que se destaca por sua falta de empatia com o público. No ano em que a Itália foi campe㠖 e o Brasil perdeu nas quartas de final -, o “hino” da norte-americana Toni Braxton com o grupo de ópera-pop britânico Il Divo não conseguiu virar um hit. Coube à colombiana Shakira, sempre ela, embalar os momentos de vitória. Cantando Hips Don’t Lie ela fez o show de encerramento do Mundial e a cabeça dos torcedores.

5. Daryl Hall e Sounds of Blackness – Gloryland (Estados Unidos, 1994)

É tetraaaa, é tetraaaa! Nossa, seria essa a melhor Copa de todas – pelo menos para, nós, os brasileiros? A suada vitória do Brasil contra a Itália na emocionante final deixou um gostinho de merecimento! Nesse contexto a quase gospel Gloryland, do norte-americano Daryl Hall com a banda Sounds of Blackness, e música oficial da FIFA, com sua letra de superação conseguiu embalar vários momentos do título. E, bem, eram os anos 1990, né, as baladas estavam em seu auge, que o digam Whitney Houston e Mariah Carey! Mas não dá para esquecer, também, do outro hino que brilhou demais nos corações tupiniquins: Coração Verde Amarelo emocionou, fez todos cantarem em coro e até hoje é o tema do futebol da Globo.

4. Gianna Nannini & Edorado Bennato – Un Estate Italiana (Itália, 1990)

Uma das canções mais emocionantes de todas as copas! Antes das produções para o Mundial começarem a ficar ‘pasteurizadas’ e genéricas, este hino, composto e produzido pelo cultuado italiano Giorgio Moroder, considerado um dos pais da música eletrônica, tocou fundo nos corações dos torcedores naquele ano. Conquistou o topo das paradas na Itália e sucesso na Europa. Clássico!

3. Ricky Martin – La Copa de La Vida (França, 1998)

1998 foi um ano estranho e com certeza, nós brasileiros, preferimos esquecer tudo o que aconteceu naquela Copa (não é, Ronaldo?), mas uma coisa é inegável: Ricky Martin fez todo mundo torcer, dançar e curtir demais a canção La Copa De La Vida, um dos maiores sucessos de sua carreira e primeiro lugar em diversos países, entre eles a Alemanha, terceiro maior mercado do setor. E, ó, nem precisa falar inglês para cantarolar o refrão pegajoso: ‘Go, go, go. Olé, olé, olé!’

2. Ivete Sangalo – Festa (Brasil, 2002)

Simplesmente *A* canção da conquista do pentacampeonato pela Seleção Brasileira! A música, até hoje uma das mais lembradas e bem-sucedidas de Ivete, fez tanto sucesso que era, inclusive, usada pelo técnico Luiz Felipe Scolari para motivar seus jogadores antes dos jogos. A letra casou perfeitamente com o momento de euforia que a população brasileira viveu e fez da cantora baiana a responsável por receber, de cima do trio elétrico, a comitiva do penta em sua volta para o Brasil.

1. Shakira – Waka, Waka (África do Sul, 2010)

Ok, como no caso da canção oficial da Copa de 2014, We Are OneShakiratambém recebeu muitas críticas por tirar o brilho dos artistas africanos, que naquele ano sediavam o Mundial, porém Waka, Waka passou incólume por isso. É, sem dúvidas, a maior canção em termos de alcance e sucesso que uma Copa já produziu. Tanto que o vídeo da música é até hoje, quatro anos depois de lançado, um dos 10 mais vistos do Youtube. Ultrapassou os limites de um Mundial e virou sucesso global. Imperdível: Os 14 goleiros mais gatos da Copa do Mundo 2018 

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História do Hino Nacional do Brasil

A história do Hino Nacional do Brasil é pouco divulgada e geralmente se restringe a breves comentários sobre os autores da letra, Joaquim Osório Duque Estrada, e da música, Francisco Manuel da Silva.

A História do Hino Nacional do Brasil é recheada de fatos interessantes, mas infelizmente pouco divulgados. Tradicionalmente, o que sabemos sobre o Hino é referente aos autores da letra e da música.

A letra foi escrita por Joaquim Osório Duque Estrada e a música, elaborada por Francisco Manuel da Silva. O Hino Nacional Brasileiro foi criado em 1831 e teve diversas denominações antes do título, hoje, oficial. Ele foi chamado de Hino 7 de abril (em razão da abdicação de D. Pedro I), Marcha Triunfal e, por fim, Hino Nacional.

Com o advento da Proclamação da República e por decisão de Deodoro da Fonseca, que governava de forma provisória o Brasil, foi promovido um Grande Concurso para a composição de outra versão do Hino. Participaram do concurso, 36 candidatos; entre eles Leopoldo Miguez, Alberto Nepomuceno e Francisco Braga.

O vencedor foi Leopoldo Miguez, mas o povo não aceitou o novo hino, já que o de Joaquim Osório e Francisco Manuel da Silva havia se tornado extremamente popular desde 1831. Através da comoção popular, Deodoro da Fonseca disse: “Prefiro o hino já existente!”. Deodoro, muito estrategista e para não contrariar o vencedor do concurso, Leopoldo Miguez, considerou a nova composição e a denominou como Hino da Proclamação da República.

Decreto 171, de 20/01/1890:

“Conserva o Hino Nacional e adota o da Proclamação da República.”

O Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação, decreta:

Art. 1º – É conservada como Hino Nacional a composição musical do maestro Francisco Manuel da Silva.

Art. 2º – É adotada sob o título de Hino da Proclamação da República a composição do maestro Leopoldo Miguez, baseada na poesia do cidadão José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros Albuquerque.

É importante ressaltar que a canção que representa uma nação, como o Hino Nacional do Brasil, exalta fatos acontecidos, simboliza todas as lutas por ela passadas, carrega a identidade de um povo e a grande responsabilidade de ser o porta-voz da Nação brasileira para o restante do mundo.

Hino Nacional do Brasil

Letra de Joaquim Osório Duque Estrada
Música de Francisco Manuel da Silva

Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores.”
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Por Lilian Aguiar
Graduada em História
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/hinonacionaldobrasil.htm

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A psicologia da música permite um treino eficaz

Para alguns atletas e para muitas pessoas que correm, levantam pesos e fazem exercícios de outra forma, a música não é supérflua, é essencial para o desempenho e um treino satisfatório. Embora algumas pessoas prefiram livros de áudio, podcasts ou sons ambientes, muitos outros dependem de batidas e letras mexendo para manter-se motivado no exercício.

Nos últimos 10 anos, o conjunto de pesquisas sobre músicas de exercício inchou consideravelmente, ajudando psicólogos a refinar suas idéias sobre por que o exercício e a música são de tal emparelhamento eficaz para muitas pessoas, assim como a música muda o corpo e mente durante o esforço físico. Música distrai as pessoas de dor e fadiga, eleva o humor, aumenta a resistência, reduz o esforço percebido e pode até promover a eficiência metabólica. Ao ouvir música, as pessoas correm mais longe, andam de bicicleta e nadam mais rápido do que o habitual, muitas vezes sem perceber. Em uma revisão de 2012 da pesquisa, Costas Karageorghis da Brunel University, em Londres, um dos maiores especialistas do mundo em psicologia da música do  exercício, escreveu que se poderia pensar a música como “um tipo de droga para melhorar o desempenho.”

A seleção de música de treino eficaz não é tão simples como se enfileira uma série rápida.Deve-se considerar as memórias, emoções e associações que evocam canções diferentes. Para algumas pessoas, a medida em que eles se identificam com o estado emocional do cantor e ponto de vista determina como eles se sentem motivados. E, em alguns casos, os ritmos da melodia subjacente pode não ser tão importante quanto a cadência das letras. Nos últimos anos, alguns pesquisadores e empresas têm experimentado novas maneiras de motivar os exercícios através de seus ouvidos, como um aplicativo do smartphone que orienta a fuga do ouvinte a partir de zumbis em um mundo pós-apocalíptico e um dispositivo que seleciona músicas com base na taxa de um corredor .

Deixe seu corpo se mover para a música. A pesquisa sobre a interação de música e exercício remonta a pelo menos 1911, quando o americano Leonard Ayres descobriu que os ciclistas pedalavam mais rápido, enquanto a banda estava tocando do que quando estava em silêncio. Desde então, os psicólogos conduziram cerca de cem estudos sobre a forma de desempenho de mudanças da música nas pessoas em uma variedade de atividades físicas, que variam em intensidade, de passear a corrida. Olhando para a pesquisa como um todo, algumas conclusões são claras.

Duas das qualidades mais importantes da música de treino são:tempo ou velocidade e o que os psicólogos chamam de resposta de ritmo, que é mais ou menos o quanto uma música te faz querer dançar. A maioria das pessoas têm um instinto para sincronizar seus movimentos e expressões com música .Que tipo de música desperta este instinto varia de cultura para cultura e de pessoa para pessoa. Para fazer algumas generalizações, músicas rápidas com batidas fortes são particularmente estimulantes, assim que encher a listas da maioria das pessoas que treinam. Em uma pesquisa recente de 184 estudantes universitários, por exemplo, os tipos mais populares da música de exercício foram  hip-hop (27,7 por cento), rock (24 por cento) e pop (20,3 por cento).

Alguns psicólogos sugerem que as pessoas têm uma preferência inata de ritmos em uma freqüência de duas hertz, o que é equivalente a 120 batimentos por minuto (bpm), ou duas batidas por segundo. Quando lhe pediram para tocar seus dedos ou o pé, muitas pessoas inconscientemente resolaram em um ritmo de 120 bpm. E uma análise de mais de 74 mil canções populares produzidas entre 1960 e 1990 constatou que 120 bpm foi o pulso mais prevalente.

Ao correr em uma esteira, no entanto, a maioria das pessoas parecem favorecer música em torno de 160 bpm. Web sites e aplicativos de smartphones como Songza  ajudam as pessoas a coincidir com o ritmo de sua música de treino para o seu ritmo de corrida, recomendando canções tão rápidas quanto 180 bpm para uma milha de sete minutos, por exemplo. Mas a pesquisa mais recente sugere que um efeito ocorre em torno de 145 bpm, mas nada parece contribuir com a motivação adicional. Na ocasião, a velocidade e o fluxo das letras substituem o ritmo subjacente: algumas pessoas trabalham para canções de rap, por exemplo, com densas letras faladas rapidamente sobrepostas em uma melodia relativamente madura.

Embora muitas pessoas não sentem a necessidade de correr ou se mover no tempo exato com sua música de treino, a sincronia pode ajudar o corpo a usar a energia de forma mais eficiente. Ao mover ritmicamente a uma batida, o corpo não pode ter que fazer ajustes como muitos movimentos coordenados como seria sem regulares estímulos externos. Em um estudo de 2012 por CJ Bacon de Sheffield Hallam University, Karageorghis e seus colegas, os participantes que pedalaram no tempo da música necessitou de menos oxigênio para fazer o mesmo trabalho que os ciclistas que não sincronizaram seus movimentos com a música de fundo. Música, ao que parece, pode funcionar como um metrônomo, ajudando alguém a manter um ritmo constante, reduzindo passos em falso e diminuindo o gasto energético.

 Estendendo esta lógica, Shahriar Nirjon da Universidade da Virgínia e seus colegas desenvolveram um leitor de música pessoal que tenta sincronizar música com o ritmo de um corredor e frequência cardíaca. Acelerômetros e um pequeno microfone embutidos em um par de fones de ouvido avaliam o ritmo do corredor e gravam o pulsar dos vasos sanguíneos. O dispositivo sem fio transmite os dados coletados por meio de um smartphone a um computador remoto que escolhe a próxima música.

Uma pesquisa recente esclarece não só que tipo de música é mais adequada para um treino, mas também como a música incentiva as pessoas a manter o exercício. A distração é uma explicação. O corpo humano está constantemente monitorando si mesmo. Depois de um certo período de duração do exercício, o exato varia de pessoa para pessoa e a fadiga começa a definir. O corpo reconhece sinais de extremo esforço, aumento dos níveis de lactato nos músculos, coração vibrando, o aumento da produção de suor e decide que precisa de uma pausa. Música concorre com esse feedback fisiológico para a atenção consciente do cérebro. Da mesma forma, a música muitas vezes muda a percepção das pessoas de seu próprio esforço durante um treino: parece mais fácil de executar esses 10 milhas ou completar um bíceps extras quando Beyoncé ou Eminem está ali com você.

“Dado que o exercício é muitas vezes cansativo, chato e difícil, qualquer coisa que alivia esses sentimentos negativos seriam bem-vindos”, Karageorghis explica. Os benefícios de distração são mais pronunciadas durante o menor para o exercício de intensidade moderada. Quando se contraem exercícios de alta intensidade, a música perde o seu poder para substituir as sensações físicas de cansaço, mas ainda pode mudar a maneira como as pessoas respondem a essa fadiga. A música certa eleva o humor e convence as pessoas para enfrentar ondas de exaustão, em vez de desistir. Karageorghis adverte, porém, contra a ouvir música durante a execução em áreas fortemente traficadas quando a distração de fadiga é grande, desde que não a coloque em perigo.

 A música também aumenta a resistência, mantendo pessoas inundada de emoções fortes. Ouvir música é muitas vezes uma experiência extremamente prazerosa e certas canções abrem as comportas mentais para as pessoas que controlam suas emoções em situações cotidianas. Se um identifica fortemente com as emoções do cantor ou perspectiva, a música torna-se mais motivacional.

Considere uma música de filme favorito de algum musical ou show da Broadway, como “One Day More” de Les Misérables, uma canção conjunto com uma melodia complexa e construção de energia ou “Defying Gravity” de mau, em que Elphaba, um personagem central, promete superar todos os limites impostos sobre ela. Além de melodias emocionantes e vocais, tais canções chamam imediatamente o ambiente inteiro do desempenho e despertam memórias de caracteres específicos que fazem parte de uma narrativa complexa. Esta malha de associações e conotações não fornece apenas uma perspectiva inspiradora para adotar, mas também toda uma realidade alternativa para entrar durante a execução  do exercício na esteira da academia.

A resposta emocional das pessoas à música é visceral. É, em parte, enraizada em algumas das mais antigas regiões do cérebro em termos de história evolutiva, e não no córtex humano que evoluiu mais recentemente.

Os cientistas sabem agora que, apesar de diferentes regiões do cérebro humano se especializam em diferentes sentidos de processamento de som, visão, tato, o cérebro usa a informação que recebe de um sentido para ajudá-la a entender o outro. O que as pessoas vêem e sentem ao ouvir voz ou música, por exemplo, as mudanças que ouvem. Música e movimento são particularmente envolvidos no cérebro. Estudos recentes sugerem que, mesmo se alguém está sentado perfeitamente ainda ouvindo música agradável aumenta a atividade elétrica em várias regiões do cérebro importante para os movimentos de coordenação, incluindo a área motora suplementar, cerebelo, gânglios basais e no córtex pré-motor ventral.

Na verdade, o cérebro humano pode ter evoluído com a expectativa de que, sempre que há música, há movimento, embora essa idéia emerge mais das mentes criativas de especular psicólogos evolucionistas que de evidência experimental. Antes da invenção das flautas de cana e outros instrumentos musicais, os nossos antepassados ​​provavelmente produziam as primeiras formas de música, cantando, gritando,  ou usando as cordas vocais, assim como fisicamente interagiam com seus próprios corpos, de outras pessoas e do meio ambiente. Um ritmo rápido provavelmente teria exigido movimentos rápidos: palmas rápidas ou pé estamparia, talvez. Profundas, sons altos teriam exigido grande energia e força cantando uma nota ou bater no chão ou uma pedra. Em sua concepção, a música era provavelmente uma extensão do corpo humano. Talvez o cérebro lembra-o dessa maneira.

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7 ESTILOS MUSICAIS QUE MAIS FORAM ADORADOS E ODIADOS NO BRASIL

A música é uma boa combinação entre vários ritmos e sons, que vão sendo organizados ao longo da melodia. E muito mais que isso, ela é capaz de combinar e despertar um monte de sentimentos em nós, meros ouvintes. Mas já percebeu como ela também tem o poder de aproximar e afastar as pessoas? É comum que  um grupo passe a ter maior intimidade por possuírem os mesmos gostos musicais. É algo que acontece muito no Brasil e pelo mundo.

É claro que sempre existe aquele gênero musical que mais te agrada. Em contrapartida, também deve existir aquele que você simplesmente não suporta. O mundo é exatamente isso, diversidade…. O  que explica os motivos para existirem tantos conteúdos, produzidos de tantas formas diferentes. Pensando nisso, nós aqui da Fatos Desconhecidos separamos abaixo 7 estilos musicais que mais foram adorados e odiados no Brasil. Confere aí!

1 – Emo

Houve um período em que o Brasil era dominado pelos emos. Por todo lugar em que você andasse, encontraria pelo menos um adolescente com um corte de cabelo diferentão, maquiagem carregada, vestido de preto e com detalhes rasgados. Bem, esse visual era influenciado por um estilo musical que tem o mesmo nome, mas também é conhecido como emocore.

Caracterizado por ser um tipo de música completamente diferente, possui musicalidade melódica e bastante expressiva. Em grande parte das vezes, as letras possuem caráter confessional. Teve origem em Washington, nos Estados Unidos, por volta da década de 1980 e daí, ganhou o mundo.

2 – Screamo

Embora sejam parecidos, o emo e o screamo possuem divergências. Fato é que não dá pra falar de um, sem mencionar o outro. O screamo surgiu por volta da década de 1990, também nos Estados Unidos, carregando influências do hardcore, do punk e do post-hardcore. É um estilo mais agressivo e que, embora também conte com letras sentimentais, elas aparecem de forma menos frequente. No mais, também já foi bastante aclamado e odiado no Brasil.

3 – Tecnobrega

Vamos então para algo totalmente diferente e que tem raízes nacionais: o tecnobrega. Esse estilo musical nasceu em Belém do Pará, sendo representado no Brasil principalmente pela Banda Calypso… E também pela Gaby Amarantos. É uma mistura entre o carimbó, o brega tradicional, forró, merengue e até a música eletrônica. Ao ouvir esse tipo de som, podemos perceber que a guitarra e os sintetizadores são os personagens principais. Embora seja tradicional de nossa cultura, não é algo que agrada a todos e até hoje, é mais popular na região nordestina do país.

4 – K-pop

Brasil

O termo é uma abreviação para korean pop, um tipo de música originada na Coreia do Sul. É muito marcado por seus elementos audiovisuais, já que os clipes também são partes importantes para caracterizar a melodia. O movimento ganhou mais força no Brasil somente no ano de 2012, após o rapper sul-coreano Psy virar um fenômeno na internet e explodir com a música “Gangnam Sttyle”. Ainda é um dos estilos musicais mais amados e odiados em nosso país.

5 – Pagode

Quem é que não tem aquele parente que sempre coloca um pagode nas festinhas entre família? Se você não for essa pessoa, é provável que conheça um caso assim. É um estilo musical que também tem origem brasileira. Para ser mais específico, nasceu no Rio de Janeiro, entre o fim da década de 1970 e o início da década de 1980, como uma proposta alternativa ao samba. Tudo aconteceu a partir das tradições onde o samba era tocado nos “fundos de quintal”, entre família e amigos mesmo. É o tipo de estilo que, ou você gosta ou não gosta… É difícil ter meio termo.

6 – Funk

Brasil

Sim, não poderíamos deixar de mencionar o funk. Originalmente, o funk tem suas raízes nos Estados Unidos. No entanto, assim que chegou ao Brasil ele ganhou uma personalidade autêntica e completamente brasileira, fugindo do que era conhecido no exterior. O funk carioca, principalmente, nasceu carregado por batidas repetidas e envolventes, aliadas à letras pesadas e que faziam apologia ao sexo e objetificação da figura feminina. Não é preciso explicar o motivo para ter sido, e ainda representar grande contradição no gosto popular brasileiro.

No entanto, vale lembrar o que o gênero foi sendo modificado ao longo do tempo, abrindo espaço para o poder feminino e deixando um pouquinho de lado as letras pesadas. No entanto, continua sendo amado e odiado pelo Brasil.

7 – Metal

E quem sempre bateu de frente com o funk? Sim, o rock e todas as suas vertentes. Mas, aqueles que sempre pegaram mais pesado foram os famigerados metaleiros. O Heavy Metal é um estilo musical que nasceu entre 1960 e 1970. Suas origens constam entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Tem suas raízes no rock psicodélico e outros gêneros do metal, marcado por um som bem mais encorpado, caracterizado pela distorção nos amplificadores, explorando a guitarra  e criando riffs únicos.

O estilo carrega consigo um fardo pesado, sendo estereotipado como um gênero que cultua forças malignas. Por ser mais agressivo e carregar tal estigma, também sempre se encontrou em posição controversa no Brasil… Existem aqueles que amam, e os que odeiam com todas as forças.

E então pessoal, o que acharam? Conhecem algum outro estilo musical amado e odiado em nosso país? Compartilhem com a gente aí pelos comentários!

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Carreira

GRUPO VIOLA BAGUÁ – Musica Guatapará

Música deliciosa do grupo Viola Baguá, confira o video.

FICHA TÉCNICA:
Célio Colella – Flauta/Percussão
Fernanda Diniz – Voz
Flávio Véspero – Voz/Violão
Gonçalo Pavanello – Viola
Gabriel Amorim – Violino/Percussão
Toni Vergilio – Voz
Vilson Moreno – Baixo/Voz/Percusão

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Música ativa região do cérebro ligada ao raciocínio e concentração

Música ativa região do cérebro ligada ao raciocínio e concentração A música acompanha a humanidade desde seus primórdios como elemento que envolve e emociona as pessoas. Nos últimos anos, estudos científicos têm mostrado que a musicalização e o aprendizado de um instrumento também podem ajudar na assimilação de conteúdos trabalhados em disciplinas que exigem raciocínio lógico e concentração. A razão disso é a estimulação de regiões do cérebro ativadas especialmente no estudo de matérias como matemática e línguas, que também atuam no processamento e produção de sentido e emoção da música.

De acordo com Aurilene Guerra, mestre em neuropsicologia e professora de Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a escuta ativa exige o desenvolvimento da capacidade de concentração, além de promover a criatividade por meio da sensibilização do aluno.

“Na última década, houve uma grande expansão nos conhecimentos das bases neurobiológicas do processamento da música, favorecida pelas novas tecnologias de neuroimagem”, conta Aurilene. Os estudos científicos comprovaram que o cérebro não dispõe de um “centro musical”, mas coloca em atividade uma ampla gama de áreas para interpretar as diferentes alturas, timbres, ritmos e realizar a decodificação métrica, melódico-harmônica e modulação do sistema de prazer e recompensa envolvido na experiência musical.

“O processo mental de sequencialização e espacialização envolve altas funções cerebrais, como na resolução de equações matemáticas avançadas, e que também são utilizadas por músicos na performance de tarefas musicais”, explica Aurilene.

Aurilene explica que o processamento da música começa com a penetração das vibrações sonoras no ouvido interno, provocando movimentos nas células ciliares que variam de acordo com a frequência das ondas. Os estímulos sonoros seguem pelo nervo auditivo até o lobo temporal, onde se dá a senso-percepção musical: é nesse estágio que são decodificados altura, timbre, contorno e ritmo do som. O lobo temporal conecta-se em circuitos de ida e volta com o hipocampo, uma das áreas ligadas à memória, o cerebelo e a amígdala, áreas que integram o chamado cérebro primitivo e são responsáveis pela regulação motora e emocional, e ainda um pequeno núcleo de massa cinzenta, relacionado à sensação de bem-estar gerada por uma boa música.

“Enquanto as áreas temporais do cérebro são aquelas que recebem e processam os sons, algumas áreas específicas do lobo frontal são responsáveis pela decodificação da estrutura e ordem temporal, isto é, do comportamento musical mais planejado”, acrescenta Aurilene.

Segundo a professora, estudos científicos apontaram uma correspondência significativa entre a instrução musical nos primeiros anos de vida e o desenvolvimento da inteligência espacial, responsável por estabelecer relações entre itens e que favorece as habilidades matemáticas, necessárias ao fazer musical no processo de divisão de ritmos e contagem de tempo.

Porém, para aproveitar os benefícios da aprendizagem, é necessário que a motivação parta do próprio estudante. Aurilene cita estudos que colocam que as diferenças individuais entre crianças são imensas e não parecem ser reduzidas por meio do treinamento, já que a habilidade musical envolve uma grande predisposição genética. Mesmo que nem todos os alunos estejam destinados a se tornar profissionais, o processo de interpretação musical desenvolve em certo nível a coordenação motora, concentração e raciocínio lógico, além de ser uma atividade que proporciona bem-estar, otimizando a fixação de conteúdos.

“No contexto escolar, a música tem a finalidade de ampliar e facilitar a aprendizagem do aluno”, diz Aurilene. “Ela favorece muito o desenvolvimento cognitivo e sensitivo, envolvendo o aluno de tal forma que ele realmente cristalize na memória uma situação.”

Os benefícios na prática
O reconhecimento da importância do estudo da música para o desenvolvimento e formação pessoal dos alunos já foi formalizado pelo governo em 2008, com a sanção da Lei nº 11.769. A medida torna obrigatório, mas não exclusivo, o ensino da música na educação básica – o que significa que a atividade pode ser integrada a disciplinas como artes, sem constituir uma matéria específica. Isso contribuiu para o veto do artigo que determinava que as aulas fossem ministradas por profissionais da área, alegando-se ainda que muitos músicos em atividade no país não tinham formação especializada para exercer a profissão.

Questões como a concepção de música como conteúdo, em vez de disciplina, e a falta de profissionais capacitados para o ensino da atividade devem entrar na pauta de discussões do Conselho Nacional de Educação (CNE). Por fim, a lei estabelecia um limite de três anos letivos para que as instituições de ensino implantassem a atividade na grade curricular.

Com o encerramento do prazo em 2011, ainda não existem dados estatísticos sobre a implantação da atividade nas escolas, mas o Ministério da Educação pretende desenvolver uma pesquisa para levantar experiências que tiveram sucesso e possam ser replicadas. Um dos exemplos bem-sucedidos que ampliou suas atividades com o advento da lei é o projeto Música nas Escolas, desenvolvido desde 2003 em Barra Mansa, região sul do Rio de Janeiro.

A iniciativa atua em escolas da rede municipal desde a educação infantil até o nono ano do ensino fundamental e é mantida por recursos da Secretaria Municipal de Educação, recebendo apoio de empresas privadas como a Light e a Votorantim. A ideia surgiu como uma tentativa de reestruturar as atividades de iniciação musical já existentes em colégios e creches do município, cuja oferta era limitada e pouco qualificada. Atualmente, o projeto atende 22 mil jovens e dispõe de uma orquestra sinfônica que já trabalhou com renomados solistas nacionais e estrangeiros.

Vantoil de Souza, coordenador do Música nas Escolas e diretor artístico da orquestra sinfônica conta que o projeto oferece atividades obrigatórias e optativas aos estudantes. O trabalho de musicalização realizado em classe por monitores qualificados inclui matérias como percepção musical, desenvolvimento rítmico e prática de canto e canto coral; a partir da 6ª série, as aulas são inseridas na disciplina de Educação Artística.

Como atividade facultativa, está a prática instrumental, cujas aulas são ministradas nas escolas que servem como polos musicais e abrigam os instrumentos que compõem a orquestra. “Embora a lei não determine a prática instrumental, ela é necessária para que o aprendizado teórico se verifique na prática”, diz Souza.

O maestro ressalta que a aprendizagem teórica isolada não provoca o desenvolvimento do raciocínio lógico e da sensibilidade atribuída ao estudo da música. “Sem a prática, o conhecimento do aluno fica privado de tudo o que é desenvolvido em contato com a acústica, sonoridades e interpretação das obras, além dele não receber a carga emocional que norteia a música enquanto prática”, observa Souza.

No entanto, tanto a lei quanto o projeto não visam a transformar os estudantes em músicos à força, mas oferecer a oportunidade de especialização àqueles que se interessarem pela prática, podendo inclusive facilitar o ingresso em cursos de graduação na área por meio de um convênio com a universidade local. “A obrigatoriedade implementada pela lei diz respeito aquele conteúdo que pode ser aproveitado por qualquer aluno, pois a música é parte do cotidiano das pessoas. Não se pode obrigar ninguém a tocar um instrumento, isso já é uma questão vocacional”, completa Souza.

O acompanhamento dos alunos participantes do projeto verificou de fato o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de concentração, o que pode atuar como um grande ganho no aprendizado de outras disciplinas. Souza acrescenta que houve redução no índice de reprovações, e diz que o sistema de prática instrumental, realizado no turno contrário, também promove indiretamente um benefício social. “O aluno passa a ter praticamente educação em período integral. Depois do horário de aula, ele volta para o colégio ou vai para algum dos polos participar de ensaios. Como 87% do nosso atendimento é feito em escolas da periferia, isso o afasta de problemas sociais que ele poderia ser exposto”, explica o maestro.

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/pesquisa/musica-ativa-regiao-do-cerebro-ligada-ao-raciocinio-e-concentracao,dafa00beca2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Novidades

Especial Sertanejo: revisite a história do gênero musical que é o maior sucesso do Brasil

No princípio, era a viola. A viola e o caipira. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito foi sem ele. Nas escrituras sacramentadas da cultura nacional mais enraizada, o homem do interior do Brasil é o criador; e a música hoje chamada sertaneja, a criatura. Em sua fase mais genuína, cantadores interpretavam em dueto modas e toadas sobre temas simples, como a lida no campo, a vida e a morte. Esse momento vingou até meados dos anos 1940. Atualmente, são as mulheres que dominam as paradas de sucesso com um discurso empoderado, e a mistura musical é tamanha que mal identifica o gênero. Nesse meio tempo, o sertanejo passou por pequenas revoluções e grandes transformações, mas nunca saiu de moda. Ganhou até um dia no calendário para chamar de seu!

— Em 1964, violeiros passaram a fazer romarias a Aparecida do Norte. Fomos eu e minha irmã com Tonico & Tinoco, para agradecer. Era 3 de maio. A rádio local soube da nossa presença e pediu para cantarmos. Depois, sugeriu que voltássemos no ano seguinte. Desde então, a data nunca passa em branco por lá. Todo ano tem apresentações de música sertaneja em Aparecida, e nós sempre estamos presentes. Do grupo original, que ainda tinha Geraldo Meirelles e Comendador Biguá, só eu e Marilene estamos vivas. Somos testemunhas oculares da História — orgulha-se Mary, uma das irmãs Galvão, ao relembrar.

Grupo de violeiros em Aparecida
Grupo de violeiros em Aparecida Foto: Reprodução de internet

Conhecidas pelo hit “Beijinho doce”, As Galvão são a dupla sertaneja mais antiga do Brasil em atividade: este ano, completam sete décadas de carreira. Mary e Marilene começaram a se apresentar com 7 e 5 anos de idade, respectivamente, na Rádio Club Marconi, de Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo, incentivadas pelos pais, uma costureira e um alfaiate, que cuidavam para que as meninas estivessem sempre impecáveis em cena.

— Lembro bem a primeira música que cantamos juntas, em 1947: “La ultima noche que pasé contigo”. Era um tango pornográfico! (risos). Naquela época, não tinha música para criança, não existia a Xuxa. Então, a gente repetia as canções que faziam sucesso. Acho que agradamos por sermos fofinhas, pequenininhas, afinadas. A emissora decidiu fazer da gente uma dupla profissional — conta Mary, aos 77 anos.

O radialista Geraldo Meirelles
O radialista Geraldo Meirelles Foto: Reprodução

A longeva carreira da dupla será comemorada com o lançamento de um livro, no próximo sábado, dia 13. E estão no forno um documentário e um DVD, o primeiro delas (!), gravado em janeiro do ano passado, com a presença de outros sertanejos: Daniel, Chitãozinho & Xororó, Sérgio Reis, Marciano, Dani & Danilo e Guilherme & Santiago.

— Não planejamos chegar a essa marca. Hoje, estamos sendo paparicadas, convidadas para os programas mais importantes. Este é realmente o momento de ouro da nossa trajetória — afirma Mary, homenageada em 2013, ao lado da irmã, com um memorial em Sapezal, distrito de Paraguaçu Paulista, onde elas iniciaram a caminhada profissional: — Não conheço outros artistas que tenham tido esse reconhecimento em vida. As coisas devem ser feitas e faladas enquanto a gente ainda está aqui para ver. Os artistas precisam saber que são importantes para a música nacional em vida. Os brasileiros deveriam prestar mais atenção nisso!

Mary e Marilene com 7 e 5 anos, respectivamente, quando começaram a cantar
Mary e Marilene com 7 e 5 anos, respectivamente, quando começaram a cantar Foto: Arquivo pessoal

Pesquisador de cultura popular e autor do livro “De caipira a universitário — A história do sucesso da música sertaneja”, Edvan Antunes, de 52 anos, concorda com a veterana:

— A gente tem um problema: ama só o que vem de fora. Artista competente, mas do interior do Brasil, não tem valor, infelizmente. Deveríamos estar exportando a música de raiz, há muito tempo. Se os japoneses ouvissem “O menino da porteira”, mesmo que no instrumental, aplaudiriam de pé.

Foi depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que a música caipira começou a se contaminar por influências externas. Instrumentos como a harpa, o acordeão, o trompete e o violino juntaram-se à viola e ao violão.

— Nos anos 50, os artistas começaram a gravar músicas paraguaias e mexicanas. Um compositor chamado Palmeira, que fazia dupla com Biá, foi quem aplicou o termo “sertanejo” a essa nova música, que já não era mais tão pura — explica Antunes, acrescentando que os locais de performance das duplas eram originalmente os circos, alguns rodeios e, principalmente, as rádios AM.

Tonico & Tinoco: música de raiz
Tonico & Tinoco: música de raiz Foto: Arquivo

O chamado “ritmo jovem” marcou a era moderna do sertanejo no fim da década de 1960. A inspiração era claramente a Jovem Guarda e o rock ‘n’ roll, e a temática romântica veio nessa onda. Defensor obstinado do estilo caipira genuíno, o músico, ator e apresentador Rolando Boldrin, de 80 anos, acompanhou essas transformações. Mas com pesar.

— As duplas mais moderninhas começaram a aderir a esse modismo americano do country, e aí a música caipira tradicional foi sendo esquecida. Virou uma coisa só, pasteurizada. Dou um exemplo: Sérgio Reis era um rapaz da capital, não usava chapéu, botas nem fivela, cantava música da Jovem Guarda. De repente, adotou as vestimentas do faroeste, começou a gravar modas de interior, vendeu muito disco, ficou famoso. Tudo apelo do mercado! — critica Boldrin: — Caipira virou termo pejorativo, então começaram a usar “sertanejo”. Mas, para mim, música sertaneja é a nordestina, de Luiz Gonzaga, Luiz Vieira, Belchior. Esse chamado novo sertanejo pegou como praga, hoje tem 200 mil duplas e milhões de fãs. Que saudade tenho dos geniais Pena Branca & Xavantinho!

Rolando Boldrin: defensor da cultura caipira
Rolando Boldrin: defensor da cultura caipira Foto: Divulgação

Léo Canhoto & Robertinho foi a primeira dupla a usar equipamentos eletrônicos numa gravação. Os dois, que ousaram também no visual, com cabelos compridos e roupas mais estilosas, chegaram a ganhar disco de ouro e lançaram filmes e peças de teatro com a temática bangue-bangue.

— Os caras compravam nossos discos até fora do país, no México e no Uruguai. Éramos dois jovens bonitos, mandávamos fazer roupas no alfaiate, cantávamos perfumados… A mulherada caía em cima! (risos) — brada Leo Canhoto, de 78 anos de idade e 46 de carreira, cujo ídolo sempre foi Elvis Presley: — Nunca fui fã da forma caipira de cantar e se vestir. Queria uma coisa mais urbana e, em 1973, cismei de colocar guitarra elétrica, bateria e contrabaixo nas músicas. Fui muito criticado, mas vencemos, e todos nos seguiram.

Leo Canhoto & Robertinho hoje
Leo Canhoto & Robertinho hoje Foto: Divulgação

Na levada da ousadia, a dupla Milionário & José Rico estourou nos anos 70. Com visual excêntrico, eles se tornaram “As gargantas de ouro do Brasil”. “Estrada da vida”, sucesso dos dois, virou filme em 1978, dirigido por Nelson Pereira dos Santos.

— Sempre fui muito fã de Tonico & Tinoco, viramos grandes amigos até. Mas achava que a música sertaneja devia ser tratada com mais carinho. Busquei influências no México e no Paraguai para mudar as nossas apresentações. Deu certo! Os dois meninos de infância pobre viraram Milionário & José Rico — brinca Milionário, que, com a morte do primeiro companheiro, em 2015, formou nova dupla com Marciano (cujo parceiro, João Mineiro, também se foi, em 2012): — Essa nova parceria foi uma forma de me manter em atividade. Fiquei um ano parado, apareceu essa oportunidade e topei. A gente se dá muito bem! Estou com 77 anos, não penso em me aposentar ainda. Vou cantar até quando der, morrer em cima do palco.

Milionário & José Rico mais recentemente
Milionário & José Rico mais recentemente Foto: Fabio Nunes/Divulgação

CURIOSIDADES

A viola

Uma das versões históricas sobre a viola diz que ela chegou ao Brasil trazida pelos colonizadores portugueses. Descende de um instrumento árabe, o alaúde, que chegou à Península Ibérica durante a invasão moura. Lá, ele se misturou com outros instrumentos medievais. Daí surgiu a “vihuela de mano”, que se chamaria viola, posteriormente.

Sedução

Os jesuítas usavam a viola para catequizar os índios, que se aproximavam admirados com o som do instrumento. Quando os bandeirantes partiram para conquistar o interior do Brasil, levaram a viola para espantar a solidão, e acabaram atraindo as índias, com quem se relacionavam sexualmente. Seus filhos eram os caboclos.

Caipirês

Os primeiros caboclos tocavam viola e cantavam usando um linguajar muito peculiar: misturavam o que aprendiam do pai português e da mãe indígena. Como não conseguiam pronunciar o som do “lh”, palavras como “telha” e “palha” viravam “teia” e “paia”, o famoso caipirês.

Caipira

O termo “caipira” também tem origem na linguagem indígena. Quando viam o homem branco se aproximando com chapéus gigantes, os tupis gritavam “Kaa pira!”, que significa “cortador de mato”.

Moda de viola

A música caipira tem uma temática rural e, segundo Cornélio Pires (jornalista e folclorista brasileiro responsável pelas primeiras gravações em disco do gênero), se caracteriza “por suas letras românticas, por um canto triste que comove e lembra a senzala e a tapera, mas sua dança é alegre”. O termo “moda de viola”, usado por Cornélio, é o mais antigo nome da música feita pelo caipira.

Michel Teló: de volta com o
Michel Teló: de volta com o “Bem sertanejo” Foto: Rede Globo/Divulgação

De volta ao “Fantástico”

Sucesso em 2014, o quadro “Bem sertanejo” — que depois virou DVD, livro e peça teatral (o espetáculo chega ao Rio na próxima quarta-feira, dia 10) — volta hoje ao “Fantástico”, na Globo, para mais duas temporadas, cada uma com quatro episódios.

Desta vez, Michel Teló estará a bordo de um food truck, oferecendo aos convidados do dia um prato típico da região onde eles nasceram. Na estreia, Teló estaciona o carro no Tocantins, onde conversa com as duplas Maiara & Maraísa e Henrique & Juliano, além do cantor Rick, que formou dupla com Renner.

— Vamos nos encontrar com cantores que não conseguimos na primeira temporada e trazer novidades, como músicas que não havíamos cantado e curiosidades — diz Teló, que, em casa, costuma receber os amigos para um bom e tradicional churrasco: — Somos uma família festeira e, desde muito pequeno, fui acostumado a grandes encontros, com muita comida típica e música. Mas não sou tão bom assim na cozinha (risos).

FONTE

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