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Carreira

Música acalma, estimula a memória, alivia dores e ajuda no exercício físico

Ouvir música não é só um entretenimento e uma medida para acalmar e relaxar – ela pode trazer diversos benefícios para a saúde, como alívio de dores, melhora da memória e até mesmo um estímulo para a prática de atividade física.

Além disso, funciona como um “remédio” para vários problemas, como mostraram a pediatra Ana Escobar e a musicoterapeuta Marly Chagas no Bem Estar desta quinta-feira (6).

Isso acontece porque a música ativa o centro de prazer do cérebro, assim como o sexo e o chocolate, por exemplo. Ela libera dopamina e causa uma sensação de bem-estar e, por isso, tem sido usada por médicos, terapeutas e preparados físicos como tratamento de diversos problemas – e tem trazido ótimos resultados.

Em relação à atividade física, a música pode ajudar a embalar o exercício e torná-lo mais fácil e mais prazeroso, como mostrou a reportagem da Marina Araújo.

Segundo o músico e empresário Alexandre Casa Nova, a música é um estímulo importante para quem se exercita porque disfarça a sensação de fadiga, dor e cansaço e, no lugar, traz um sentimento bom de alegria e motivação, deixando a pessoa mais confortável.

O mesmo acontece com a música para dormir ou acordar. Sons mais graves e lentos, por exemplo, ajudam a pessoa a se desligar das preocupações e, comprovadamente, facilitam o sono e combatem a insônia. Por outro lado, sons animados, energéticos e acelerados são bons durante a manhã para despertar e ajudar a acordar.

Essa identificação dos pequenos com a música começa, no entanto, depois da 21ª semana de gestação, isso porque, na 20ª semana, o aparelho auditivo do bebê, apesar de já estar pronto para receber vibrações sonoras, ainda tem o conduto auditivo externo bloqueado por um tecido de células que protege o desenvolvimento do tímpano. A partir da 21ª semana, essa parede se rompe, o tímpano entra em contato com o líquido amniótico e começa a receber e processar vibrações, fazendo com o que o bebê comece a ouvir.

Musicoterapia

O repórter Phelipe Siani mostrou a história do Edson, um garoto que foi diagnosticado com autismo aos 6 anos de idade. O menino tinha dificuldades para falar, mas na frente do videogame, costumava se soltar.

Por isso, os pais recorreram à musicoterapia, um tratamento que começou a deixar o Edson mais calmo, atento e com interesse pelo mundo em sua volta. Com o tempo, os resultados foram ainda melhores: ele começou a interagir com as pessoas, a cumprimentá-las e a procurá-las também – tudo reflexo da música dentro da vida do menino.

Carreira

4 Benefícios da música para o desenvolvimento infantil

Saiba como a música ajuda no desenvolvimento e no aprendizado das crianças.

As diferentes formas de arte podem contribuir muito para o desenvolvimento infantil, e a música é certamente uma delas. Você já deve ter percebido como muitos brinquedos educativos emitem sons ou músicas, não é mesmo? Isso porque as atividades que envolvem músicas têm um papel especial no estímulo de áreas específicas do cérebro, como as que beneficiam a cognição e o desenvolvimento de outras habilidades essenciais durante o crescimento das crianças.

Quando os pequenos têm contato com a música, podem desenvolver algumas características com certa facilidade, como a fala, a dicção e a coordenação motora. Ainda, se tocam um instrumento ou passam por algum aprendizado musical antes dos cinco anos, apresentam a área frontal do cérebro, responsável pelo conhecimento lógico e abstrato, mais desenvolvida.

Ativa a memória e o raciocínio

A música também está relacionada ao processo educativo, pois contribui para a ativação da memória e do raciocínio lógico. Ela desenvolve algumas áreas do cérebro de formas que nenhuma outra linguagem é capaz, tornando-as mais poderosas. Além disso, também auxilia no aprendizado matemático e na percepção espacial. Elementos como timbre, tempo e tom são importantes para esse processo, pois para afinar um instrumento, para improvisar e criar, por exemplo, é preciso lembrar o som da nota. Se a criança aprende ou canta uma música, a memória sequencial é exercitada.

Estimula a alfabetização

A música pode ser um estimulante na fase de alfabetização. Afinal, a sequência dos sons produzidos tem relação direta com a linguagem. As canções infantis, por exemplo, ajudam as crianças a entender o significado das palavras, sobretudo as que possuem rimas e frases ou sílabas repetitivas. As crianças armazenam palavras ao ouvirem e cantarem uma música, e a dicção também pode ser aprimorada.

Integra corpo e mente

A linguagem musical permite a integração entre corpo e mente, entre a sensibilidade e a razão, e entre a criatividade e os recursos técnicos, por exemplo. São pontos importantes para o desenvolvimento infantil no que diz respeito a comunicação, consciência e expressão corporal; portanto, a música é também significativa para a vida adulta. A criança cria maior segurança emocional e melhora a socialização, além de o contato com a música possibilitar que ela se expresse por meio do corpo. Pode ser demonstrando o que ela sente ao ouvir o som, cantando ou realizando movimentos.

Melhora a concentração

Outro benefício do contato das crianças com a música é o aumento da capacidade de concentração. Os pequenos ficam sensibilizados com os sons e passam a apreciá-los, potencializando os níveis de concentração. A criança consegue analisar e perceber mais detalhes em diversas situações, além de a concentração ser fundamental para o aprendizado. Se ela for cantar um trecho de uma música ou fazer um solo instrumental, também é necessário estar focada para realizar as tarefas.

O contato com a música é muito positivo desde o começo da infância e pode ser introduzido em casa. Os conhecimentos musicais podem ser ensinados em atividades lúdicas, sem medo do barulho ou de desafinar. Ampliar o repertório de experiências das crianças é uma ótima maneira de exercitar o seu cérebro e, assim, contribuir para o seu desenvolvimento. Só benefícios para os pequenos!

Notícias

Artista transforma armas da guerra em instrumentos musicais

Um artista sérvio, chamado Nikola Macura, está transformando armas usadas na guerra em instrumentos musicais. O escultor defende que “o feio” pode se tornar “algo belo”.

“As armas estão ao nosso redor. Estamos tão cercados pela destruição que não percebemos mais ”, disse Nikola, que também trabalha como professor assistente na Novi Sad Academy of Arts, na Sérvia.

Ele cresceu na época em que a Sérvia estava no auge do conflito com a ex-Iugoslávia – Bósnia-Hezergovina, que deixou uma quantidade enorme de ferro-velho no país: desde capacetes e rifles até outros objetos destruídos.

Determinado a transformá-los em instrumentos adoráveis, Nikola visitou diferentes ferros-velhos militares para coletar armas antigas.

Ele testou cada pedaço de metal para ver que tipo de som era capaz de fazer, e então levou os que tinham potencial para transformação. E a mágica aconteceu.

Instrumentos de armas

Ele transformou um velho balde do exército e uma bazuca em um violoncelo funcional e criou um violino com um kit de primeiros socorros.

Sua iniciativa foi chamada de “From Noise to Sound” – do barulho ao som – está ganhando força.

Orquestra de veteranos

Agora, Nikola quer criar uma orquestra inteira com equipamentos antigo e, em seguida, ter veteranos de guerra tocando os instrumentos.

A orquestra viajaria por toda a região como um símbolo visual de transformar destruição em criação.

“Meu objetivo é oferecer às pessoas que participaram da guerra uma chance de utilizar as armas que usaram para travar uma luta para criar música”, acrescentou Nikola.

O brilhante escultor está trabalhando atualmente com um tanque do exército, na esperança de transformá-lo em um enorme tambor que será tocado por cinco percussionistas.

Ele planeja pintar o tanque de rosa brilhante apenas por diversão!

Fotos: Instagram

Fotos: Instagram

Veja Nikola tocando um destes instrumentos: https://www.instagram.com/fromnoisetosound/?utm_source=ig_embed&ig_rid=4503741b-49f9-4ee9-a5f7-364ecb365b46

 

Notícias

Gravações Cover: Vantagens e Desvantagens

O mercado musical basicamente se divide em cantores de músicas Covers e os cantores de músicas autorais. Apesar desta separação, nada impede que os artistas trabalhem essas duas vertentes simultaneamente, contudo, como em qualquer ramo de atividade, existem vantagens e desvantagens, que podem fazer o músico ser rapidamente conhecido ou podem levá-lo a desistir do projeto musical próprio. A seguir, entenda quais são essas diferenças.

Características de uma Gravação Cover

Muitos artistas que têm músicas próprias e procuram entrar profissionalmente no mercado musical, seja formando uma banda para tocar na noite, seja em uma carreira solo, geralmente optam pelo caminho do Cover para abrir espaço no mercado, e desta forma, mostrar sua arte autoral.

Mas existe uma grande diferença entre executar Covers em um bar e lançar um CD com composições de outros músicos. O desconhecimento sobre as regras de direitos autorais pode levar o artista a ter sérios problemas com a justiça, independente se a obra foi utilizada em uma simples execução ou mesmo na reprodução.

Normalmente, para apresentações em bares, casas de show ou locais abertos, os comerciantes, promotores de eventos, ou quem for o responsável pela apresentação, deverá fazer uma declaração ao ECAD contendo repertório de obras musicais a serem executadas, para a devida arrecadação dos direitos autorais. Já para a gravação e comercialização de músicas Cover, é primordial solicitar a autorização dos detentores de direitos da obra. Esta cobrança e concessão de direitos são feitas pelas editoras musicais e gravadoras, e não pelo ECAD.

Embora os trabalhos Cover exijam pagamento de direitos autorais, ainda assim, apresentam-se como uma boa alternativa. A seguir, as principais vantagens e desvantagens desta modalidade.

Vantagens de uma Gravação Cover

Desde muito tempo as gravações cover vêm sendo um facilitador para a entrada de artistas no mercado musical. Pelo fato da grande maioria do público frequentador de bares e casas de shows estar mais propenso e aberto a aceitar músicas já conhecidas e interagir mais facilmente durante as apresentações, o trabalho cover facilita também a introdução de músicas autorais no meio do repertório que será apresentado, podendo torná-las conhecidas.

Além disso, ajuda os músicos aprimorarem suas técnicas e isso, no meio cover, é fundamental para ter destaque, pois, quanto mais fiel ao original, maior a possibilidade de tocar em mais lugares. E vale tanto para quem está começando quanto aqueles que já estão no mercado, pois a regravação de um sucesso pode ser a chave para impulsionar uma carreira, ou mesmo, representar um retorno triunfal nos palcos.

Desvantagens de uma Gravação Cover

Observando pelo ângulo financeiro, uma das grandes desvantagens em se gravar um CD/DVD com músicas cover,= é o custo que se tem com os direitos que são pagos às editoras ou escritórios responsáveis pela administração de carreiras artísticas, pois, além do artista que vai produzir um cover depender da autorização do responsável pela obra e liberação dos direitos de gravação, alguns escritórios cobram valores absurdos e ainda limitam a quantidade de cópias que poderão ser geradas do fonograma.

Diante disso, cabe aos músicos decidirem qual estratégia utilizar na hora de gravar um CD, se Cover, arcando com os direitos autorais mas ganhando maior aceitabilidade do público, ou autoral, com a ousadia de quem garante a qualidade do seu trabalho e confia na receptividade do público.

 

FONTE: https://www.discmidia.com.br/mercado-musical/gravaes-cover-vantagens-e-desvantagens/

Notícias

Cura pelo som é uma técnica promissora no combate a doenças e disfunções

Profissionais de saúde são, merecidamente, as novas celebridades, e as descobertas científicas são as novas atrações. Teorias e fórmulas alternativas desenvolvidas para curar, tratar ou diminuir o sofrimento causado por doenças estão, com uma frequência cada vez maior, ganhando espaço em conversas e nas redes sociais.

A coluna Claudia Meireles noticiou por aqui algumas novidades, como um método criado por um médico brasileiro para reverter doenças degenerativas; ou a respiração Box Breathing, idealizada pelo ex-comandante da marinha americana Mark Divine, capaz de promover o aumento da qualidade de vida. Destacamos, também, as dicas valiosas do neurocientista Andrew Huberman para “hackear” o cérebro e dormir bem.

Mas uma abordagem terapêutica para lá de diferenciada chamou atenção: o Sound Healing ou Sound Therapy, ferramenta de cura e autoconhecimento por meio do som. A prática já possui seu espaço na ciência e avançou demasiadamente, chegando a fazer parte, inclusive, dos tratamentos hospitalares junto à medicina tradicional.

Os sons ou frequências são consideradas sagrados há muito tempo. Seu uso é tão antigo quanto a própria existência humana. Atualmente, trata-se de um importante objeto de estudo na medicina.

O princípio básico da cura pelo som vem através da ressonância, a frequência vibratória de um objeto. Segundo a teoria, o universo inteiro – o que inclui os seres humanos – está em um estado de vibração, e cada parte do corpo têm uma frequência vibratória saudável.

Sound Healing ou Sound Therapy, ferramenta de cura e autoconhecimento através do som

Portanto, nos tornamos doentes a partir do momento em que não estamos ressoando com alguma parte de nós mesmos ou do que acontece nosso redor. Ou seja, uma frequência que vibra sem harmonia pode gerar algum tipo de enfermidade.

Na prática, esse tipo de terapia é executada em sessões que podem ser realizadas usando a voz ou com o certas ferramentas, como diapasões, tigelas tibetanas de canto, tigelas de cristal quartzo, monocórdios, tambor nativo, flauta nativa, chocalhos, entre outros. Assim como a massagem, que proporciona cura pelo toque, a terapia por som é uma forma de terapia sensorial.

O método não é tão limitado como se imagina. Nos Estados Unidos, por exemplo, a forma mais comum de se submeter à cura pelo som é a musicoterapia, que usa sons guiados por especialistas para ativar a memória e aliviar o estresse.

Já as batidas binaurais, outro segmento, consistem em tocar dois tons separados em cada ouvido, que são percebidos como um único tom quase eufórico pelo cérebro.

Apesar dos variados ramos, o Sound Healing busca, em síntese, harmonizar o corpo, proporcionando bem-estar, acalmando, energizando e fortalecendo o organismo.

A técnica é uma tendência crescente, principalmente nas cidades de Nova York e Los Angeles, que já possuem estúdios específicos para esse fim. No YouTube, são inúmeros os vídeos que oferecem a experiência.

O som ou a música são instrumentos de cura práticos, baratos e não invasivos, o que acaba se tornando facilmente aceito pelas pessoas. No método Banho de Som, por exemplo, o indivíduo conta com tigelas colocadas no corpo ou ao redor da cabeça para iniciar um mergulho auditivo profundo e de corpo inteiro.

Apesar dos variados ramos, o Sound Healing busca harmonizar o corpo, proporcionando bem-estar

Cada ouvinte possui um objetivo. A tipologia da terapia de som varia de acordo com as necessidades e da forma que ele recebe o estímulo. Há sessões agregam ioga ou tai chi ao método. A durabilidade varia de 20 minutos a duas horas.

Alguns estudos analisam a eficácia do Sound Therapy. Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que a meditação por tigelas tibetanas diminuiu o estresse e a raiva. Outro resultado científico mostrou que a estimulação sonora de baixa frequência aumentou significantemente a quantidade de tempo em que pacientes com fibromialgia podiam sentar e ficar em pé sem dor. Na Alemanha, também perceberam que as batidas binaurais podem reduzir a ansiedade.

Confira alguns benefícios que a terapia pelo som pode trazer:

  • Relaxamento profundo, com cura de dores de cunho emocional;
  • Libertação do medo, da tristeza, da solidão e da depressão;
  • Limpeza de emoções indesejadas;
  • Afastamento de doenças físicas, problemas musculares e de mobilidade;
  • Agilidade na recuperação pós-operatória.

Há, ainda, a sonopuntura, que consiste na aplicação de diapasões em vez de agulhas em pontos do corpo.

A metodologia mais acessível para a prática de terapia com som de taças tibetanas ou batidas binaurais é a internet, via redes sociais ou no YouTube e SoundCloud. A professora e terapeuta Sara Auster costuma postar com frequência conteúdos sobre a temática em seu perfil no Instagram.

Em Brasília, a musicoterapia é uma técnica valorizada no Hospital da Criança de Brasília (HCB), fazendo parte dos protocolos de tratamento dos pequenos que lutam por uma vida melhor.

Existem, ainda, a Clínica de Musicoterapia Délia Matos e o espaço de Pedro Bicaco.

 

FONTE: https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/cura-pelo-som-e-uma-tecnica-promissora-no-combate-a-doencas-e-disfuncoes

Carreira

Alzheimer: Música ameniza sintomas de demência em idosos com a doença

A música tem sido uma ótima estratégia terapêutica para lidar com a difícil tarefa de cuidar de um familiar acometido pelo Alzheimer. Com a evolução da doença neurodegenerativa, as pessoas ficam totalmente dependentes, podem se tornar mais agressivas, agitadas, com déficits de memória e declínio motor e cognitivo. Uma pesquisa da Gerontologia da USP traz alento às pessoas que estão envolvidas com um idoso nessa situação, principalmente se o cuidador principal for o próprio cônjuge. Canções do repertório autobiográfico do casal, que trazem lembranças de fatos e situações vividas juntos, amenizam sintomas relacionados à demência, como a agitação, e possibilitam mais qualidade de vida ao cuidador.

Segundo o autor da pesquisa, o musicoterapeuta e mestre em Gerontologia Mauro Amoroso Pereira Anastácio Júnior, a música exerce enorme influência na vida humana. No caso do idoso, estimula sentimentos, sensações e remete a épocas, pessoas, lugares e experiências vividas, evocando emoções guardadas em sua memória, diz. Com formação musical e trabalhando mais recentemente com pesquisas na área do envelhecimento pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, Anastácio uniu as duas áreas e procurou investigar o efeito da musicoterapia nas relações familiares conjugais e de amizade de cuidadores que eram cônjuges de pessoas diagnosticadas com Alzheimer.

Cantando juntos

Ao todo, foram 12 atendimentos semanais direcionados a quatro casais idosos que moravam no município de São Paulo. O pesquisador estabeleceu alguns critérios para a escolha das pessoas: que um dos indivíduos tivesse diagnóstico de Alzheimer em estágio inicial ou moderado e que o cuidador tivesse assumido essa função há mais de seis meses. Por meio de entrevistas, antes e depois das intervenções, Anastácio resgatou as canções mais significativas da história de vida do casal. Uma das atividades levadas à sessão foi a gravação dos dois cantando alguma música do repertório deles e, em seguida, propôs que ouvissem a gravação juntos. Em alguns momentos, Anastácio também recorreu aos instrumentos musicais. O violão favorecia o acompanhamento harmônico das canções, diz.

Nos resultados apurados por Anastácio, embora os cuidadores se sentissem cansados pelas demandas associadas à doença, a musicoterapia trouxe momentos prazerosos ao casal. Amenizou os sintomas comportamentais dos companheiros adoecidos e possibilitou o resgate e a troca de lembranças pessoais, como relata uma das participantes da pesquisa: “A musicoterapia trouxe o prazer de se expressar, sem ser julgada. É uma sensação de tranquilidade e de dar chance de relembrar o que se viveu”.

Com relação ao fato de ter tido que assumir a tarefa de cuidar do companheiro, a experiência com a música trouxe maior percepção de seu papel social e familiar e mais qualidade e bem-estar no relacionamento conjugal, como disse uma das depoentes: “Agente sempre se deu bem e hoje há um sentimento de gratidão por toda a vida que tivemos juntos”.

Demência e Alzheimer

Segundo o pesquisador, a demência é uma síndrome cerebral progressiva que afeta a memória, o pensamento, o comportamento e a emoção. Embora cada processo seja individual, eventualmente os indivíduos com demência tornam-se incapazes de cuidar de si mesmos e necessitam de ajuda para todas as suas atividades, explica Anastácio.

Existem mais de 100 formas de demência, sendo a mais conhecida a doença de Alzheimer. Causa a destruição das células cerebrais, interrompendo a transmissão de mensagens no cérebro, o que afeta a capacidade de se lembrar, falar, pensar e tomar decisões, diz o pesquisador. Ainda não se sabe ao certo o que causa a morte das células nervosas, porém há certos tipos de lesões que podem ser observadas em áreas danificadas do cérebro. Isso confirma o diagnóstico da doença de Alzheimer, explica.

Envelhecimento populacional brasileiro 

A pesquisa apresenta também dados sobre a tendência de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas no Brasil impulsionada pelo envelhecimento da população. Em 1950, a expectativa de vida era de 51 anos; em 2016, passou para 75,8 anos e a previsão para 2040 é de 80 anos, segundo o estudo. Para o pesquisador, “é preciso adotar abordagens terapêuticas para o manejo da doença, uma vez que os medicamentos farmacológicos disponíveis dão conta apenas dos sintomas”, conclui.

A pesquisa de mestrado Musicoterapia e doença de Alzheimer: um estudo com cônjuges cuidadores foi defendida em maio de 2019, sob a orientação da professora Deusivania Vieira da Silva Falcão, do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.

Carreira

CRIAR MÚSICA, OU SIMPLESMENTE OUVIR, AUMENTA O BEM-ESTAR, MOSTRA PESQUISA

MELHORA NA SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL SÃO FATORES OBSERVADOS PELOS AUTORES DO ESTUDO

Segundo um estudo publicado no JAMA (Journal of the American Medical Association), ouvir, criar ou cantar música pode promover melhoras significativas no bem-estar e na qualidade de vida dos indivíduos, regulando emoções e funções cerebrais.

De acordo com os pesquisadores, as intervenções musicais podem ser consideradas “mais atrativas e efetivas” ao levar em conta alternativas não farmacêuticas – porém, mais estudos ainda são necessários. Entretanto, é garantido que o método, por si só ou como terapia complementar, melhora a saúde mental dos adeptos.

No jornal The Guardian, é explicado que o estudo de 26 pesquisas conduzidas em lugares como Austrália, Reino Unido e Estados Unidos descobriu um resultado clínico na promoção de um bem estar mental e emocional.

Sete dessas pesquisas envolvem musicoterapia; dez abordaram os efeitos de ouvir música; oito examinaram os benefícios de cantar e uma tratou sobre as consequências da música gospel dentro deste contexto.

“Muitos de nós sabemos por experiência própria o quão profunda uma intervenção musical pode ser em situações que incluem cirurgia, problemas de saúde ou episódios de saúde mental”, declarou Kim Cunio, professor de musicologia da Universidade Nacional Australiana, ao The Guardian.

Além disso, os autores afirmam que os benefícios da música à mente podem ser comparados aos efeitos de exercícios físicos e perda de peso.

Mas o uso de musicoterapia e arteterapia como intervenções só vem recebendo mais credibilidade e reconhecimento recentemente, após a OMS (Organização Mundial da Saúde) encontrar evidências de que os métodos podem ajudar na prevenção se problemas de saúde e no tratamento dos mesmos.

Outro estudo aponta para a música como tratamento complementar efetivo no combate à depressão e aos sintomas da menopausa em mulheres. – como ondas de calor e dificuldade para dormir.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre os benefícios da música, confira outras curiosidades surpreendentes:

Plantas reagem à música

Estudos sugerem que quando plantas são expostas à música, seu crescimento pode ser estimulado. Segundo resultados de pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Agricultura Biotecnológia da Coréia do Sul, ondas sonoras presentes em músicas clássicas causaram reação em dois genes das plantas utilizadas.

Ouvir música pode ter efeitos terapêuticos

Através da musicoterapia, sons podem nos ajudar superar alguma questão, expressar algum sentimento, ou até mesmo nos dar energia, o que acontece porque a música tem efeitos terapêuticos.

A musicoterapia proporciona bem-estar, relaxamento tanto físico quanto mental, liberação de dopamina – hormônio do prazer – resgate de autoestima, melhora na expressão e comunicação, ganho ou melhora de tônus muscular, entre muitas outras coisas.

O show com maior público foi realizado em Copacabana

A apresentação de Rod Stewart no Brasil durante a virada do ano entrou para o Guinness Book como o maior show gratuito da história, contando com mais de 3,5 milhões de pessoas ouvindo o artista em Copacabana, Rio de Janeiro.

Fãs de música clássica e de heavy metal têm personalidades semelhantes.

Estudo realizado na Universidade Heriot Watt, em Edimburgo, na Escócia, analisou a relação entre gostos musicais e a personalidade dos indivíduos. Os resultados sugerem a presença de semelhanças entre fãs de música clássica e admiradores de heavy metal.

Pesquisadores entrevistaram 36 mil pessoas, abordando as características da personalidade de cada um e seus gostos musicais.

A conclusão diz que fãs de jazz tendem a usar mais a criatividade, enquanto o contrário ocorre àqueles que gostam de música pop.

Seguindo essa linha, os estudiosos encontraram pontos em comum entre pessoas que gostam de música clássica e heavy metal.

“São pessoas muito criativas, introvertidas e de bem consigo mesmas, o que é estranho. Como você pode ter dois estilos tão distintos com grupos de fãs tão parecidos?”, afirmou Adrian North, líder do estudo

Ainda segundo ele, uma das explicações para o resultado surpreendente pode ser o “aspecto teatral desses estilos, que são dramáticos”.

“As pessoas em geral têm um estereótipo sobre os fãs de heavy metal, acham que eles têm tendência suicida, são deprimidos e representam um perigo para si e para a sociedade em geral. Na verdade, são pessoas bem delicadas”, disse.

Músicas afetam como você enxerga as situações

Quem nunca sintonizou na playlist de músicas tristes quando não estava se sentindo bem. Ou de canções alegres para limpar a casa ou se arrumar para sair. Isso porque o som que estamos ouvindo afeta diretamente em como vemos o mundo ao nosso redor.

Ao ouvirmos músicas mais melancólicas, podemos nos ver mais chateados e lembrando de situações não tão agradáveis. Enquanto escutar ritmos divertidos e animados faz com que nossa energia fique mais leve.

Você sabe o que é “coceira cognitiva”?

Quando dizemos que não conseguimos tirar uma canção da nossa cabeça, estamos falando sobre “coceira cognitiva”, acontecimento que costumamos atribuir à “músicas chiclete” – incômoda muitos casos.

Segundo estudo realizado por James J. Kellaris, da Universidade de Cincinnati, psicólogo estudioso do comportamento do consumidor, músicas simples, com repetição e que foge às expectativas tem chances de “grudar” em nossa mente.

De acordo com a pesquisa, músicos, mulheres e pessoas que sofrem muito estresse tendem a ser mais suscetíveis à “coceira cognitiva”, com causas psicológicas ou físicas, que podem estar relacionadas às frequências de som que ressoam no corpo.

Kellaris ainda afirma que para sanar o efeito da música chiclete, é necessário cantá-la em voz alta.

Ouvir música estimula praticamente todo o nosso cérebro

Ouvir música é uma das poucas atividades que conseguem estimular praticamente todo o nosso cérebro, provocando um “diálogo” entre as áreas do órgão.

Uma canção faz com que analisemos o som quando a seu tom, ritmo, volume, timbre, harmonia, localização espacial e ressonância. Além disso, as partes de nosso cérebro responsáveis por movimento, memória, atenção e emoção também são ativadas. Isso sem contar a interpretação que o órgão faz da letra.

Só uma em cada 10 mil pessoas tem ouvido absoluto

Ter ouvido absoluto é possuir a conseguir reconhecer e nomear notas musicais sem nenhuma referência anterior, conseguindo afirmar qual a nota tocada no piano sem um elemento de comparação.

Apenas uma em cada 10 mil pessoas nasce com a condição, fazendo dela uma raridade. Suspeita-se que o ouvido absoluto seja hereditário e que estudar música possa desenvolvê-lo.

Confira alguns músicos famosos que tinham ouvido absoluto:

  • Mozart
  • Beethoven
  • Chopin
  • Ella Fitzgerald
  • Stevie Wonder
  • Michael Jackson

A música pode ser utilizada no tratamento para mal de Parkinson e AVC

Segundo estudos, a musicoterapia por tempo prolongado pode ser útil no tratamento para mal de Parkinson e AVC, podendo ainda causar reações surpreendentes em pacientes com Alzheimer.

As sessões que utilizam o método recorrem a exercícios musicais ou rítmicos que ajudam os indivíduos a estabelecerem habilidades funcionais, como pessoas que começam a andar novamente após um trauma junto ao ritmo de uma música ou batida específica.

Além disso, o tratamento para AVC ajuda os pacientes a recuperarem a linguagem, o andar e movimentos físicos.

Carreira

O que você imagina quando ouve música depende de sua cultura

Música com fundo cultural

Todos imaginamos – ou visualizamos – as mesmas coisas quando ouvimos música, ou nossas experiências são irremediavelmente subjetivas?

Em outras palavras, será que a música é uma linguagem verdadeiramente universal?

Para investigar essas questões, uma equipe internacional de pesquisadores – incluindo um pianista clássico, um baterista de rock e um baixista – perguntou a centenas de pessoas que histórias elas imaginavam ou que quadros elas visualizavam ao ouvir uma música instrumental que nunca havia ouvido antes.

Os resultados mostraram que os ouvintes em dois estados dos EUA imaginaram cenas muito semelhantes, enquanto os ouvintes de uma província da China imaginaram histórias completamente diferentes – todos os três grupos ouviram as mesmas músicas.

“Estes resultados pintam uma imagem mais complexa do poder da música. A música pode gerar histórias notavelmente semelhantes nas mentes dos ouvintes, mas o grau em que essas narrativas imaginadas são compartilhadas depende do grau em que a cultura é compartilhada entre os ouvintes,” resumiu a professora Elizabeth Margulis, na Universidade de Princeton (EUA).

Imaginação musical

Os 622 voluntários foram selecionados em três regiões em dois continentes: Duas cidades universitárias nos EUA – uma no Arkansas e outra em Michigan – e um grupo de Dimen, uma vila na China rural onde o idioma principal é o Dong, uma língua tonal não relacionada ao mandarim, e onde os moradores têm pouco acesso à mídia ocidental.

Todos os três grupos de ouvintes ouviram os mesmos 32 estímulos musicais: Trechos de 60 segundos de música instrumental, metade de música ocidental e metade de música chinesa, todos sem letra. Após cada trecho musical, eles faziam descrições livres das histórias que imaginaram enquanto ouviam a música.

Os resultados foram impressionantes: Os ouvintes nos dois estados norte-americanos descreveram histórias muito semelhantes, muitas vezes até usando as mesmas palavras, enquanto os ouvintes chinesas imaginaram histórias semelhantes entre si, mas muito diferentes das dos ouvintes norte-americanos.

Por exemplo, uma passagem musical identificada apenas como W9 trouxe à mente dos ouvintes norte-americanos um nascer do sol sobre uma floresta, com animais acordando e pássaros cantando, enquanto os chineses imaginaram um homem soprando uma folha em uma montanha, cantando uma música para sua amada.

Para a passagem musical C16, os ouvintes norte-americanos descreveram um caubói sentado sozinho ao sol do deserto, olhando para uma cidade vazia; Os participantes chineses imaginaram um homem nos tempos antigos contemplando com tristeza a perda de sua amada.

“Você pode pegar duas pessoas aleatórias, que cresceram em um ambiente semelhante, fazer com que elas ouçam uma música que nunca ouviram antes, pedir que imaginem uma narrativa e você encontrará semelhanças. No entanto, se essas duas pessoas não compartilham uma cultura ou localização geográfica, você não verá o mesmo tipo de semelhança na experiência. Então, embora imaginemos que a música possa unir as pessoas, o oposto também pode ser verdade – ela pode distinguir entre grupos de pessoas com origens ou culturas diferentes,” disse Benjamin Kubit, coautor do estudo.

Carreira

Música ganha espaço como terapia para crianças com autismo

Musicoterapeuta diz que evolução gradativa é “troféu” e alegria de profissionais e famílias

 

Apesar de não ser tão popular quanto as terapias tradicionais, como a psicologia, terapia ocupacional e a fonoaudiologia, por exemplo, a musicoterapia ou musicalização vem a cada dia ganhando um espaço importante para, somada a outras terapias, ajudar crianças com necessidades especiais em diversas áreas, como na interação social, na comunicação verbal e não verbal, dentre outras.

Em Dourados, um trabalho digno de nota utilizando a musicoterapia é desenvolvido na Associação de Pais e Amigos dos Autistas da Grande Dourados (AAGD). A AAGD desenvolve suas ações em sede própria, visando promover o apoio psicossocial, o bem-estar e melhoria da qualidade de vida das pessoas com autismo e suas famílias. Para isso oferece atendimento em psicoterapia individual ao público alvo mediado por psicólogos na área comportamental, atendimentos as famílias com a equipe técnica (assistente social e psicóloga), bem como os Projetos Complementares, como Equoterapia, Ginástica, Musicalização e Apoio pedagógico.

O Progresso esteve com o músico Elton Bonilha Petelim, um dos professores que atuam na AAGD na atividade complementar de musicoterapia. “Fazemos esse trabalho com amor, porque essas crianças merecem. Elas já passam por tantas dificuldades por conta do espectro. O que podemos fazer é se dedicar com amor a elas para que tenham melhor qualidade de vida e um comportamento muito próximo das crianças típicas”, disse Elton na entrevista. “A nossa realização profissional, como músicos, é ver o desenvolvimento da criança. Quando vemos esse desenvolvimento, essa evolução gradativa, nós ficamos felizes e as famílias também. Essa é a nossa recompensa. Esse é o nosso troféu”, afirmou o dedicado professor, que detalhou à reportagem como são desenvolvidas as atividades de musicoterapia/musicalização.

“Nós trabalhamos com canto (Música de recepção e despedida, Canções Folclóricas, Cantigas de Roda, Músicas de estimulo motor, pedagógicas e outras músicas do repertório popular), ritmos variados com instrumentos percussão, terapias funcionais ou estruturadas (Desenvolvimento cognitivo), canções para estimular a coordenação motora e consciência corporal, exercícios musicais de identificação de figuras, cores e números (Pareamento e estímulos para a fala), identificação e execução de notas e figuras musicais nos instrumentos melódicos, percepção rítmica, melódica e harmônica, brincadeiras musicais para proporcionar interação social e Prática Instrumental com instrumentos musicalizadores (Violãop, Ukelele, Flauta Doce, Teclado Arranjador, Xilofone e Sanfona de 8 baixos)”, enumerou o músico, detalhando como e em que fase são aplicadas cada técnica.

“Todas essas atividades tem a finalidade de ajudar no desenvolvimento da criança, seja no desenvolvimento cognitivo ou fonético, auxiliar na alfabetização e na coordenação motora”, explicou, ressaltando que a AAGD atende todo o espectro do autismo. “Dentro dessa faixa de crianças nós temos as crianças classificadas como de espectro leves, moderadas e severo. As atividades aplicadas obedecem a esse grau de necessidade”, assinalou.

“Para efeito comparativo, se temos uma criança de três a seis anos de idade as atividades são mais de caráter lúdico. Se a criança não tiver nenhuma limitação intelectual, por exemplo, podemos atuar no pareamento de cores, auxiliar na alfabetização apresentando consoantes e vogais e numerais. Se a criança apresentar alguma limitação intelectual ou comorbidade associada, como comprometimento na fonética, a gente vai ajudar através de canções para ela poder desenvolver a fala e principalmente na questão comportamental”, descreveu Elton, enfatizando que “a questão comportamental é trabalhada em todas as situações, mas nos casos mais severos ela é mais priorizada por conta da necessidade de propiciar que essa criança tenha interação social, compartilhamento de brinquedos e outros comportamentos sociais de uma criança típica”.

“Isso muda se formos atender, por exemplo, uma criança de oito anos, que já é alfabetizada e que não tem comprometimento intelectual. Tem apenas a questão comportamental por conta do espectro do autismo. Nesses casos entramos com algo mais denso. É como alimentar uma criança: se é um bebê basta a papinha. Se é uma criança maior já se oferece alimentação normal. Nesses casos entramos com a musicalização em si, através do ensino das notas musicais, por exemplo”, prosseguiu.

Quando a criança já tem cerca de oito anos o Projeto oferece instrumentos musicalizadores. No caso de Elton, as atividades são feitas com violão, o teclado ou flauta doce. “Aí já é ensinar a tocar mesmo, apesentando musica popular e infantil e também explicando e mostrando o que é clave de sol, clave de fá, mínima, semínima, colcheia e outros pontos que fazem parte da teoria e prática musical ensinada em uma escola formal”, esclarece o músico.

“Quando vemos esse desenvolvimento, a evolução gradativa, nós ficamos felizes e as famílias também. Essa é a nossa recompensa. Esse é o nosso troféu”, afirmou o dedicado professor no final da entrevista.

Carreira

Choro é o gênero em que a música brasileira encontra seu virtuosismo

Neste sábado 23 é comemorado o Dia Nacional do Choro, gênero que é revolucionário, como fica claro no trabalho do grupo Chorando as Pitangas.

Foi da fusão do lundu, a base de percussão afro-brasileira, com a polca, a valsa e outros gêneros em evidência na época, que o choro floresceu na segunda metade do século XIX – uma associação espetacular que formou não somente um gênero instrumental, mas a própria raiz da música brasileira.

Joaquim Callado (flautista), Patápio Silva (flautista), maestro Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga (piano), Ernesto Nazareth (piano), Pixinguinha – o maior de todos (nasceu em 23 de abril e por isso o Dia do Choro), João Pernambuco (violão), Quincas Laranjeira (violão), Luperce Miranda (bandolim) e João da Baiana, que embora seja identificado como sambista, foi fundamental na introdução do pandeiro nas rodas de música da época.

Esses instrumentistas essenciais presentes pouco antes e pouco depois da virada do século XIX para o XX, e mais uma centena de músicos que os cercavam e eram tão virtuosos quanto os citados, fizeram a combinação que solidificou o choro como uma arte musical tipicamente nossa.

Os chorões, que quando reunidos eram chamados de grupo regional (relação com a música regional), composto por cavaco, violão, pandeiro e mais bandolim, piano e sopros (flauta, saxofone), tocavam em bares, festas populares, aniversários, em teatros e até em baile da elite.

Influência

Eles frequentavam rodas de samba, ainda no embrião, nas casas das tias baianas. Foram depois para o rádio. Eram pessoas do povo, de origem humilde, muitos autodidatas. Não só eram exímios músicos, mas arranjadores e compositores. Improvisaram como ninguém, uma característica em geral dada somente a quem tem talento.

Passaram a acompanhar grandes cantores da época, como Carmem Miranda e Francisco Alves. E isso perdura até hoje. Alguns artistas do primeiro time, não só do samba, mas da MPB, mantêm sua base de músicos com chorões e até mesmo já fizeram trabalhos com um conjunto inteiro.

Músicos de choro são excelentes instrumentistas, leem partituras, têm linguagem musical própria dando um caráter no acompanhamento bastante peculiar.

Esse pessoal influenciou desde sempre a cultura e é responsável pela definição da raiz da música brasileira. Isso não quer dizer que o próprio choro não tenha mudado ao longo do tempo, com grupos experimentando a inserção de novos instrumentos no meio, como acordeon, surdo e violino.

O Chorando as Pitangas, que lançou seu terceiro disco recentemente, chamado Terceira Dose, é uma prova disso. O grupo é composto por Gian Correa (violão de sete cordas), Ildo Silva (cavaquinho), Milton Mori (bandolim), Roberta Valente (pandeiro) e Vitor Lopes (harmônica ou gaita – está aí um instrumento inserido no choro ao longo do tempo, dando-lhe multiplicidade musical em solos plurais).

O disco mostra o caminho renovador do choro, nas composições próprias de integrantes do Chorando as Pitangas e dos participantes, como do violonista Ricardo Hertz e do grupo Barbatuques, que em duas faixas introduzem percussão corporal no choro, como assobios, toques das mãos, palmas, sons com a boca e vocalizes. O álbum ainda tem a participação do guitarrista Chico Pinheiro.

O choro sempre teve linguagem inovadora e virtuosa, como Pixinguinha tão bem propôs há um século.

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